Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Após acionar CGU, Ribeiro deu parabéns a pastor lobista; veja vídeo

"Que você continue uma grande inspiração", disse ministro Milton Ribeiro a pastor Gilmar Santos, suspeito de pedir propina no MEC

atualizado 24/03/2022 18:08

Ministro da Educação Milton Ribeiro. Ele tem cabelos brancos ao lado da cabeça e usa óculos - MetrópolesReprodução/YouTube

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, elogiou e desejou feliz aniversário ao pastor Gilmar Santos, suspeito de cobrar propina para destravar recursos da pasta, depois que pediu uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) contra o pastor. Ambos são alvos da PGR. “Que você continue uma grande inspiração”, disse o ministro, também pastor, em um vídeo publicado por Santos em setembro do ano passado, um mês depois que a CGU foi informada das suspeitas.

“Gilmar, meu amigo, irmão, eu estou gravando este vídeo para desejar as mais ricas bênçãos de Deus sobre a sua vida, parabenizando pelo seu aniversário”, afirmou o ministro em um vídeo publicado por Gilmar Santos em 30 de setembro do ano passado.

“Estou no Nordeste do país, mas não podia deixar passar em branco esse registro do meu apreço, da minha admiração, e que você continue assim, sendo uma grande inspiração para todos os da Igreja Assembleia de Deus. Um abraço fraterno e parabéns”, seguiu Milton Ribeiro.

Um mês antes, Ribeiro havia levado suspeitas contra os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura ao ministro da CGU, Wagner Rosário. Essa informação foi divulgada pelo ministro nesta quarta-feira (23/3), em entrevistas à CNN e à Jovem Pan. A CGU endossou as declarações do ministro.

“Quando em agosto eu recebi uma denúncia anônima a respeito da possibilidade de que eles [pastores Gilmar e Arilton] estariam praticando algum tipo de ação não republicana, imediatamente eu procurei a CGU e fiz redigir um ofício em que eu noticio o ministro da CGU que houve esse tipo de indicação“, disse Ribeiro à Jovem Pan.

“Um dos pedidos que me fizeram da CGU é que naturalmente eu não falasse [aos pastores] que eles estavam sendo investigados. E uma das coisas que eu não podia impedir era recebê-los”, afirmou à CNN. Questionado por que seguiu recebendo no governo a dupla suspeita de pedir propina, Ribeiro acrescentou: “Imagina se, de uma hora para outra, eu simplesmente parasse de recebê-los”.

Os dois pastores foram acusados por prefeitos de pedirem propina em troca de agilizar repasses do Ministério da Educação. Na quarta-feira (23/3), Gilmar Santos foi acusado de ter pedido dinheiro e compra de Bíblias para vender acesso ao ministério. Em um áudio divulgado nesta semana, o ministro admitiu favorecer os pastores no órgão federal a pedido de Jair Bolsonaro. Além de um inquérito na PGR, Gilmar Santos enfrenta outro contratempo com o governo federal: deve R$ 204 mil à União.

 

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