Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Guilherme Amado

Dos presos em flagrante agredidos no Rio de Janeiro, 80% são negros

De agosto de 2020 a dezembro deste ano, 475 pessoas relataram agressões de agentes do estado quando foram encaminhadas para a cadeia

Bruna Lima17/12/2021 09:00, atualizado 17/12/2021 12:10
Metrópoles - O mais acessado do Brasil
Compartilhar notícia
CNJ/Divulgação
Foto colorida de mãos algemadas

A cada 10 pessoas agredidas no momento da prisão em flagrante no Rio de Janeiro, oito são negras. Desde a volta das audiências de custódia, em agosto de 2020, a dezembro deste ano, 475 pessoas relataram agressões de agentes do estado quando foram encaminhadas para a cadeia.

Os dados, que constam de um levantamento da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, apontam que 90% dos presos são homens e 80% são pretos ou pardos. As agressões relatadas são físicas em 54% das vezes. Cerca de metade dos custodiados apresentou marcas de injúrias ao defensor público na audiência de custódia.

Na audiência de custódia, uma pessoa presa há pouco tempo é ouvida por um juiz e pode denunciar eventuais abusos no momento da detenção. Também participam o Ministério Público, a Defensoria Pública ou um advogado.

O levantamento ainda mostra que 60% dos presos não foram informados imediatamente sobre o motivo da prisão e comunicados de que tinham o direito de permanecer em silêncio e só falar em juízo.

Foram denunciadas 475 agressões. O número indica que o crime foi subnotificado durante os meses em que as audiências de custódia foram suspensas por causa da pandemia. De janeiro a agosto de 2020, nenhuma denúncia foi registrada. Nessa época, os defensores públicos podiam contar apenas com os autos de flagrante escritos pelos policiais.

Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Clique aqui.

Siga a coluna no Twitter e no Instagram para não perder nada.