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Vorcaro virou acionista do BRB por meio da holding Titan
Documento do BRB enviado ao Banco Central, em 2025, obtido pelo Metrópoles, revela que a Titan, de Vorcaro, comprou ações por R$ 194 milhões
atualizado
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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, virou acionista do Banco de Brasília (BRB) por meio de holding própria, a Titan Capital. A empresa tem sede em Camana Bay, localizada nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal.
Documento do BRB encaminhado ao Banco Central em 23 de abril de 2025, ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade, revela como ocorreu a ligação societária entre Vorcaro, Master e o banco brasiliense.
A Titan, de Vorcaro, não comprou as ações diretamente do banco, que fez a emissão para aumento de capital em 2024. A holding adquiriu as ações de um outro fundo, o Deneb, por meio de contrato assinado em 10 de abril de 2025.

De acordo com o Ofício Presi 2025/029 do BRB, o Deneb, administrado pelo grupo Master, vendeu à holding de Vorcaro 12.071.934 ações ordinárias e 10.170.851 preferenciais, por R$ 194 milhões.
“Para o pagamento, a Titan utilizou recursos próprios de seu patrimônio e originários de operação de empréstimo por ela contratada com a Theter Investments S.A., havendo para tanto resgatado aplicações financeiras no valor de R$ 194.180.028,41”, diz trecho do documento obtido pela reportagem.
Veja:

Como o Metrópoles revelou, neste mesmo documento de abril de 2025, o BRB comunicou ao BC quem eram os beneficiários finais das ações vendidas para fundos ainda em 2024. Esse ofício foi assinado pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e por Dario Oswaldo Garcia Júnior, que ocupava função de diretor de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores.
Entre os novos acionistas do BRB, estão o fundador da Reag, João Carlos Mansur, e o ex-sócio de Vocaro, Maurício Quadrado. Todos são investigados na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.
No mês anterior às operações de venda da participação acionária no BRB, feita pelos fundos, a instituição anunciou a intenção de comprar o Banco Master. O negócio acabou barrado pelo Banco Central seis meses depois.
Ainda em abril de 2025, o BC autorizou a alteração do capital social do BRB para R$ 2,3 bilhões, deliberada em reunião do Conselho de Administração de 27 de dezembro de 2024. Antes, em julho, o BRB já havia feito outro aumento de capital por meio da emissão de ações.
Uma das teses que Vorcaro trabalha junto a seus advogados e que deve ser apresentada às autoridades é a de que ele, como acionista do BRB, não tinha interesse em vender carteiras de crédito inexistentes ao banco e, assim, prejudicar a instituição. Segundo a defesa de Vorcaro, não faria o menor sentido vender carteiras sem lastro para um banco em que ele próprio é acionista.
Veja o ofício do Banco Central:

Investigação
Na sexta-feira (30/1), a PF abriu um novo inquérito para investigar suspeitas de manobras societárias envolvendo o BRB no contexto da tentativa de aquisição do Master.
A reportagem acionou o Banco Central e aguarda retorno. O Metrópoles tenta contato com os demais citados.
O BRB disse que “os investigadores encontraram achados relevantes e compartilharam com as autoridades competentes”. “Conforme já mencionado, parte dos achados estão em sigilo para resguardar os interesses do banco no ressarcimento dos prejuízos causados”, afirmou.






