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Fundador da Reag comprou ações do BRB por meio de fundo administrado pelo Master

Em resposta ao Banco Central, o BRB comunicou, em abril de 2025, os beneficiários finais das ações vendidas a fundos

atualizado

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O fundador da Reag, João Carlos Mansur, comprou ações do Banco de Brasília (BRB) a partir de um fundo administrado pelo Banco Master. O BRB atualizou formulário de referência na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) com o quadro societário, informando que o alvo das operações Compliance Zero e Carbono Oculto detém 4,5% do capital da instituição.

O que não tinha sido divulgada, até então, era a origem dessas ações. Documento enviado pelo BRB ao Banco Central, em 23 de abril de 2025, e obtido pelo Metrópoles, revela que Mansur comprou as ações do fundo Celeno, administrado pela Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

Antes, o Celeno recebeu as ações do FIP Borneo, administrado pela Reag Trust, fundada por Mansur.

“Após essa transferência, o Sr. João Carlos Falbo Mansur, celebrou em 04/04/2025, com o Celeno, o Contrato de Compra e Venda de Recibos de Subscrição de Ações  por meio do qual adquiriu 20.320.952 recibos de subscrição de ações preferenciais e 1.817.063 recibos de subscrição de ações ordinárias, ambos do BRB”, informou o banco no Ofício Presi 2025/029, datado de 23 de abril de 2025.

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Segundo o documento, encaminhado em resposta a questionamentos do BC, Mansur efetuou o pagamento ao fundo Celeno no valor de R$ 193,2 milhões, de “recursos próprios” oriundos de distribuições de dividendos da Lumabe Participações Ltda. 

Veja: 

O documento foi assinado pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e por Dario Oswaldo Garcia Júnior, que ocupava função de diretor de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores. Ambos foram afastados dos cargos no âmbito da Operação Compliance Zero.

Ainda em abril de 2025, o BC autorizou a alteração do capital social do BRB para R$ 2,3 bilhões, deliberada em reunião do Conselho de Administração de 27 de dezembro de 2024. Antes, em julho, o BRB já havia feito outro aumento de capital por meio da emissão de ações. Veja:

BC aprovou alteração societária do BRB após aumento de capital por meio de emissão de ações

Um mês antes, em março, o BRB tinha anunciado que compraria o Banco Master. A operação, no entanto, acabou barrada pelo Banco Central. 

Um das teses que Vorcaro trabalha junto a seus advogados e que deve ser apresentada às autoridades é a de que ele, como acionista do BRB, não tinha interesse em vender carteiras de crédito inexistentes ao banco e, assim, prejudicar a instituição. Segundo a defesa de Vorcaro, não faria o menor sentido vender carteiras sem lastro para um banco em que ele próprio é acionista.

Operação da PF

Mansur foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026. Segundo a apuração da Polícia Federal, a Reag aparece nas investigações por administrar fundos que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Na sexta-feira (30/1), a PF abriu um novo inquérito para investigar suspeitas de manobras societárias envolvendo o BRB no contexto da tentativa de aquisição do Master. A apuração ocorre após o BRB entregar “achados relevantes” da primeira parte da auditoria contratada pelo banco.

Em nota, o BRB disse que, “dando resposta ao quanto constatado na investigação independente, e com o intuito de resguardar seus interesses, recuperar seus créditos e ativos e ver ressarcidos os prejuízos causados pelos agentes relacionados à Operação Compliance Zero, o BRB informa que vem adotando inúmeras medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais relacionadas a fundos de investimentos, garantias e carteiras de crédito, adquiridas pelo BRB, medidas estas que correm, parte em sigilo, e que serão reforçadas por novas medidas, com a maior brevidade possível, para garantir a efetividade da preservação dos interesses do banco”.

A reportagem tenta contato com o Master e com Mansur.

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