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Grande Angular

"Trocar porrada com vermes": veja mensagens contra alunos da UnB

Mensagens que circularam em grupos de extrema direita tinham ameaças a estudantes da UnB e prometeram ato com agressões físicas nesta 6ª

04/04/2025 12:53, atualizado 04/04/2025 16:07
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BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
No primeiro dia de aulas, estudantes da Universidade de Brasília (UnB) fazem protesto nos corredores do Instituto Central de Ciências Norte (ICC Norte) contra o youtuber de direita Wilker Leão - Metrópoles

O Metrópoles teve acesso a mensagens trocadas por meio de um aplicativo e, em uma delas, o remetente disse que pretendia ir à Universidade de Brasília (UnB), nesta sexta-feira (4/4), para agredir “comunistas”. As conversas, porém, não especificam quem seriam esses alvos.

“Nossa intenção não é ‘recuperar’ a UnB, que nem é deles, e sim trocar porrada com os vermes”, dizia o texto.

No mesmo grupo em que circulou essa mensagem – marcada como “encaminhada com frequência” –, o youtuber Wilker Leão chamou os estudantes de “covardes”, afirmou que o ato teria mais de 100 pessoas e defendeu a necessidade de uma “resposta contundente” ao que ocorreu na universidade no primeiro dia de aulas do semestre.

“Agora, se baixarmos a cabeça ou demonstrarmos fraqueza, aí, eles vão se sentir mais fortes”, escreveu.

Em outra mensagem, um integrante do grupo levantou uma dúvida: se portar spray de pimenta e arma de eletrochoque seria permitido. “Embora sejam alternativas menos letais em comparação às armas de fogo, isso não significa que seu uso e porte sejam completamente liberados”, afirmou.

O clima de tensão levou alguns setores da UnB a suspender as atividades administrativas e acadêmicas. De acordo com o comunicado, não haverá expediente no Instituto de Letras (IL) após as 12h30 desta sexta-feira.

O Diretório Acadêmico de Comunicação (Dacom) fechará o espaço antecipadamente, apesar de as aulas na Faculdade de Comunicação (FAC) estarem mantidas. “A universidade está informada sobre o ataque, e a segurança será reforçada”, informou.

Ameaças à universidade

Desde pouco antes do início do semestre, a UnB tem sido alvo de ataques de pessoas de fora da comunidade universitária. Ainda no período de férias, um grupo de jovens de extrema direita esteve no campus Darcy Ribeiro e pintou de branco a porta do Centro Acadêmico de Artes Visuais (Cavis).

A ação apagou desenhos e frases deixados por estudantes do curso e por visitantes do local como forma de expressão nesse espaço, destinado a reuniões, descanso e eventos acadêmicos. O grupo justificou que a medida foi necessária para acabar com “símbolos comunistas” da universidade.

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Grupo é apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e deixou pendurada bandeira do Estado de Israel na Universidade de Brasília (UnB)
Jovens de extrema-direita apagou desenhos e mensagens deixadas na porta do Centro Acadêmico de Artes Visuais (Cavis)
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Jovens de extrema-direita apagou desenhos e mensagens deixadas na porta do Centro Acadêmico de Artes Visuais (Cavis)

Arquivo pessoal/Reprodução
Grupo é apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e deixou pendurada bandeira do Estado de Israel na Universidade de Brasília (UnB)
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Grupo é apoiador de Jair Bolsonaro (PL) e deixou pendurada bandeira do Estado de Israel na Universidade de Brasília (UnB)

Arquivo pessoal/Reprodução

Eles também penduraram uma bandeira do Estado de Israel em uma das paredes do campus e prometeram uma nova ação na instituição de ensino superior federal, para combater o que classificaram como “doutrinação comunista”.

Comunicados e orientações

A Reitoria da Universidade de Brasília divulgou que, devido ao cenário atual e às ameaças, adotou “um conjunto de ações voltadas à preservação da segurança de sua comunidade e do patrimônio público”. As medidas incluem reforço da segurança patrimonial, melhoria da infraestrutura de iluminação externa e atuação integrada com os órgãos de Segurança Pública do DF e com a Polícia Federal (PF).

Ainda nesta sexta-feira (4/4), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) emitiu uma circular com orientações para a segurança dos estudantes e dos centros acadêmicos (CAs).

Gabinete de crise

Acionada pela reportagem, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou que atuará de forma preventiva e específica no campus Darcy Ribeiro e que foi montado um gabinete de crise, nessa quinta-feira (3/4), com representantes da corporação, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e da Reitoria para monitoramento da situação.

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