Rollemberg mentiu na campanha quando disse que reduziria tarifas
Em entrevista durante campanha de 2014, Rodrigo Rollemberg assumiu o compromisso de baixar tarifas, o avesso de sua mais recente medida

Com a popularidade dando rasantes na casa dos 7%, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) jamais cometeria a sandice de propor aumento de impostos se a situação de caixa não estivesse no limite, ou perto dele.
Se Rollemberg deixou este presente de Grego para os brasilienses antes de partir para Aracaju é porque não tinha, na atual configuração de seu governo, muitas alternativas. Quem quer interromper as próprias férias para levar chamuscada de fogo amigo, saraivada de críticas populares e enquadrada dos distritais? Ninguém, claro.

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Ver todasEntão candidato, Rollemberg se vendeu como um político diferente. Mas agiu exatamente igual a seus antecessores. Mentiu para a população. É constrangedor assistir o então candidato ao Buriti, em entrevista à TV Globo, dizer que não aumentaria as tarifas do transporte público no DF. Mais que isso, ele prometeu, à época, reduzir o valor das passagens.
E não me venha com essa desculpa furada de que o contexto mudou e a crise chegou. Um homem público não deveria abrir a boca para prometer aquilo que não está a seu alcance. A promessa vazia de ontem ajuda a explicar a ira dos eleitores hoje. Duas décadas de vida pública é tempo suficiente para um político aprender isso.
Faltar com a palavra foi o primeiro dos pecados capitais de Rollemberg no episódio do aumento das tarifas. Aplicar a medida sem promover o debate é outro erro político. Não que os distritais se valham sempre dos motivos mais republicanos para opinar em decisões do Executivo.
Muitas vezes, os deputados aproveitam temas polêmicos para barganhar e pressionar o governo em favor de seus próprios interesses. Mesmo um neófito, no entanto, sabe que deixar de dialogar com a Câmara pode inviabilizar a decisão do governo. A mobilização dos distritais em torno de um projeto de decreto legislativo para impedir o reajuste das passagens está aí para confirmar.
Rollemberg tem mais dois anos para tentar ajustar sua imagem projetada durante a campanha com a que os brasilienses enxergam dele hoje. Falar a verdade e nada mais que a verdade é um começo. Não resolve os problemas da cidade, mas ajuda o cidadão a desfazer aquela impressão de que foi passado para trás.




