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“Queria contar a verdade dele”: o que Thiago Miranda disse à PF sobre Vorcaro e projeto com influenciadores
Dono da Agência Mithi, Thiago Miranda prestou depoimento à PF nesta terça-feira (12/5)
atualizado
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Dono da Agência Mithi, Thiago Miranda disse à Polícia Federal que apresentou projeto de “reconstrução de imagem” a Daniel Vorcaro depois de o dono do Banco Master deixar a cadeia após a primeira prisão. Miranda prestou depoimento, nesta terça-feira (12/5), no inquérito que apura contratação de influenciadores para suposto ataque ao Banco Central.
Segundo Miranda contou aos investigadores, conforme depoimento obtido pela coluna, o projeto contemplaria criação de um perfil de Vorcaro no Instagram, de um site próprio, além de canal no YouTube. “Ele queria muito contar o que ele tinha vivenciado na prisão, falar sobre a liquidação do banco em menos de 45 minutos, falar da prisão dele, contar a narrativa, a verdade dele”, afirmou.
O dono da agência afirmou que havia duas etapas relacionadas às matérias da imprensa: a primeira seria trabalhar pautas com “veículos de relevância, como Folha e Estadão”, e a segunda envolveria o comentário de influenciadores sobre as reportagens. Miranda negou que o conteúdo fosse “aprovado” por Vorcaro.
“Então, se saísse uma matéria no Metrópoles de que o Banco Master foi liquidado em 24 horas, se tivesse saído uma matéria na Folha de São Paulo, todos esses veículos relevantes, a gente passava pelos influenciadores para eles repercutirem e opinarem sobre aquela informação”, relatou à PF.
Miranda confirmou que havia orientação aos influenciadores sobre os temas, mas negou que tivesse determinação para “atacar o Banco Central”.
“Hoje, qualquer influenciador, qualquer perfil que você vai contratar, precisa de um briefing [resumo] para saber qual trabalho vai ser feito. E o nosso briefing era repostar o material que estivesse saindo na mídia. Então, por exemplo: saiu no Estadão: ‘Banco Master é liquidado em menos de 45 minutos’. A gente mandava isso para o perfil, o perfil fazia, de acordo com o texto, a narrativa dele”, afirmou.
Segundo o dono da agência, havia uma cláusula nos contratos que proibia ataque a órgãos públicos e “sujar imagem de pessoas públicas”. Miranda afirmou que terceirizou o contato com influenciadores, que eram abordados pela agência UNLTD, mas os pagamentos eram feitos por ele.
Miranda declarou que o projeto de Vorcaro durou aproximadamente 20 dias e foi pago com dinheiro que ele recebeu da venda da fatia que possuía do portal LéoDias.
O valor repassado aos influenciadores dependia do tamanho do perfil e da frequência das postagens sobre o assunto, de acordo com o depoimento. O dono da agência citou o caso de Luiz Bacci, que teria recebido R$ 500 mil, e do perfil Not Journal, que tinha cachê de R$ 30 mil.
“Coleguismo”
Miranda contou que conheceu o dono do Banco Master por meio de um outro empresário, Flávio Carneiro, que o levou até a casa de Vorcaro para discutir a venda de parte do portal LéoDias, do qual Miranda é fundador. Segundo o dono da Agência Mithi, Vorcaro pagou R$ 3,5 milhões por 10% do site, por meio de uma empresa chamada Super.
No depoimento, ele afirmou que a relação profissional que tinha com Vorcaro se estendeu para “coleguismo”, mas negou que fossem próximos e que tenha “ido à festa” ou estado com ele fora do ambiente corporativo.
Segundo Miranda, ele teve outro encontro com Vorcaro após o projeto ter sido iniciado. Naquela ocasião, de acordo com o depoimento, o dono da agência mostrou “os resultados”, os perfis que foram trabalhados e as pautas. Questionado sobre a reação de Vorcaro, disse que ele “achou ótimo, porque era tudo positivo e estava conseguindo mostrar a opinião dele”.
Investigação
O inquérito que trata das publicações pagas para fortalecer a narrativa do Master foi instaurado em janeiro de 2026. A suspeita da PF é que tenha havido tentativa de manipulação do fluxo de informações sobre o caso nas redes sociais, a partir da divulgação do conteúdo contrário ao Banco Central e aos diretores no caso Master.
As investigações mapearam ao menos 22 perfis nas redes sociais que foram contratados pela Agência Mithi para o “Projeto DV”, incluindo contas com mais de 20 milhões de seguidores. A PF deve ouvir, também, os influenciadores contratados.










