PF pede a Mendonça mais 60 dias para apurar operações do Master com BRB
Laudos apontaram possíveis falhas na governança e no controle das operações do BRB com o Master

A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro André Mendonça mais 60 dias para concluir a investigação sobre as operações do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB). A corporação cita dois laudos periciais recentes, depoimentos pendentes e informações do Banco Central entre os motivos para ampliar o prazo da apuração.
A investigação envolve a compra, pelo BRB, de títulos de crédito do Banco Master. Entre os ativos negociados estavam R$ 13,3 bilhões em créditos da Tirreno. Segundo auditoria independente realizada no BRB pela Machado Meyer em parceria com a Kroll, esses créditos eram “total ou majoritariamente desprovidos de lastro”.

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Ver todasEntre as diligências pendentes estão os depoimentos de funcionários envolvidos na estruturação e na operacionalização das operações e de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB (Dicol) cujas condutas foram individualizadas pelos laudos. A PF também aguarda informações solicitadas ao Banco Central.
A corporação pediu documentos adicionais ao Banco Central para analisar os efeitos das sucessivas substituições das carteiras negociadas entre o BRB e o Master. Segundo a PF, o BC determinou que ativos originários do Master passassem por avaliação específica durante seis meses, após impor medidas prudenciais ao BRB.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularUm dos laudos analisou documentos das operações entre o BRB e o Master. Segundo a PF, o trabalho apontou “possíveis descumprimentos de normativos internos, fragilidades de governança, concentração excessiva de risco” e “aprovação de operações em desacordo com os procedimentos regulares de controle”.
A perícia também identificou a “participação individualizada de integrantes da Dicol em deliberações relacionadas aos fatos sob investigação”. Segundo a PF, o laudo trouxe fatos novos e permitiu individualizar a atuação de pessoas que ainda não figuravam formalmente entre os investigados.
O segundo laudo analisou materiais apreendidos durante a Operação Compliance Zero e documentos relacionados às operações entre o Banco Master e a Tirreno.
Segundo a PF, a perícia encontrou “elementos indicativos de incompatibilidade entre a estrutura operacional e econômico-financeira da empresa Tirreno e o volume bilionário das operações realizadas”. O
trabalho também apontou “ausência de evidências de liquidação financeira efetiva das cessões analisadas” e “inconsistências documentais relevantes”.
A PF afirma ainda que o laudo identificou, no Banco Master, mecanismos internos de controle, monitoramento e governança que “possuíam condições de identificar as irregularidades apontadas”.
O pedido foi assinado em Brasília em 20 de agosto de 2026 e veio a público após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitar a André Mendonça a retirada do sigilo das investigações sobre o Master que tramitam na Corte.





