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Idoso de 79 anos aguarda, há mais de 40 dias, vaga para hemodiálise no DF

Francisco Auri tem hipertensão e diabetes. Internado no Hospital de Base, ele já poderia ter voltado para casa com acesso ao tratamento

atualizado 04/11/2020 22:42

Francisco AuriArquivo pessoal

Diagnosticado com hipertensão e diabetes, Francisco Auri da Silva, de 79 anos, passou por uma cirurgia de amputação do pé no último dia 23 de setembro. Ele poderia ter voltado para casa no dia seguinte, mas, de acordo com familiares, o idoso continua internado no Hospital de Base por não haver vaga para sessões de hemodiálise na rede pública de saúde.

“Vivemos em constante angústia. Esta semana, o paciente que ficava ao lado dele precisou ser entubado por conta de uma infecção generalizada. Cada dia que passa, as chances de ele pegar uma infecção hospitalar aumentam”, contou Adriana Guilherme, filha de consideração de Francisco.

Nesta quarta-feira (4/11), decisão do juiz Henaldo Silva Moreira, da 5ª Vara da Fazenda Pública e Saúde Pública do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), estabeleceu prazo de 15 dias para a Secretaria de Saúde esclarecer a situação.

No período, a pasta terá que informar quando Francisco foi inscrito para o tratamento de hemodiálise, qual o tempo médio de espera e qual a posição atual do idoso na fila. O magistrado também solicitou cópia da lista de espera dos pacientes.

De acordo com Adriana, a preocupação dos familiares é constante. “Temos muito medo do que pode acontecer”, afirmou. A espera pela hemodiálise, de acordo com ela, não é o único problema no atendimento médico recebido por Francisco.

“Ele foi internado, pela primeira vez, por conta de um corte no dedo. Foi preciso amputar e ele voltou para casa. Dias depois, retornou ao hospital e desta vez foi preciso amputar o pé. A cirurgia para a reconstrução dos tecidos, no entanto, não foi feita. Ele passou dias com o ferimento aberto. Quando fecharam, tiveram que cortar mais”, relatou.

Adriana conta que Francisco, quando acorda, sempre pergunta: “Cadê minha perna?”. “É muito triste porque acreditamos que, se não tivesse havido negligência, ele não estaria nessa situação”, lamentou.

Procurada, a Secretaria de Saúde não se manifestou sobre o caso até a última atualização do texto. O espaço continua aberto.

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