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Geddel desacata agente penitenciário e vai para o castigo na Papuda

O desentendimento foi registrado na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião). Ex-ministro está na carceragem desde setembro de 2017

atualizado 28/06/2018 14:42

DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Acusado de desacatar um agente penitenciário, Geddel Vieira Lima foi colocado de castigo no Pavilhão Disciplinar da Papuda. Após o desentendimento, o ex-ministro, investigado na Lava Jato, chegou a ser levado à 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) na noite de quarta-feira (27/6). A PCDF autuou o político baiano em virtude de ele ter desrespeitado servidor público.

A confusão teria começado logo após Geddel receber uma visita. Antes de ser reconduzido à carceragem, o ex-ministro foi submetido à revista pessoal. Indignado com a situação, o político baiano teria ofendido um dos agentes carcerários, conforme o registro de ocorrência. Mais calmo, já na delegacia, Geddel pediu desculpas. Mesmo assim, foi autuado em flagrante por desacato.

De acordo com o delegado João Guilherme Medeiros, responsável pela unidade policial, o ex-ministro foi ouvido, assinou um termo circunstanciado e voltou para a Papuda. Ao ser levado para o castigo, Geddel demonstrava grande indignação.

O ex-ministro ficará em um cubículo com estrutura inferior à da cela onde está preso desde setembro do ano passado, na Ala A do Bloco 5 do Complexo Penitenciário da Papuda.

A Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe) confirmou que o ex-ministro foi isolado em cela especial por ter desrespeitado um agente de atividades penitenciárias durante uma revista pessoal. “O procedimento é adotado para todo detento que cometa falta disciplinar em estabelecimento prisional. Geddel, assim como qualquer outro interno nessa condição, ficará na cela especial, inicialmente, por até 10 dias. Depois, retorna para a cela de original”, informou a nota.

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Geddel Vieira Lima foi preso preventivamente na casa em que mora na capital baiana – onde cumpria pena domiciliar. O ex-ministro responde por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução de investigação. Denunciado na Operação Cui Bono?, também virou alvo da Polícia Federal após serem encontrados R$ 51 milhões dentro de malas em um apartamento ligado a ele, em Salvador.

A Operação Cui Bono? apura a existência de práticas criminosas na liberação de créditos e investimentos por parte de duas vice-presidências da Caixa Econômica Federal: a de Gestão de Ativos de Terceiros (Viter) e a de Pessoa Jurídica. Um desses setores era ocupado por Geddel.

Desde a sua detenção, o político emagreceu muito. Em setembro do ano passado, logo após ser preso, passou mal na Papuda. A pressão de Geddel chegou a 19 por 10. Ao ser levado para o departamento médico, foi algemado a outro preso de idade avançada, situação que o forçou a caminhar lentamente.

Procurada nesta quinta (28), a defesa do ex-ministro não respondeu até a última atualização desta matéria.

 

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