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Ex-02 da PF refuta proposta de "Alcatraz" e defende colônias para presos trabalharem.

Sandro Avelar, que é delegado aposentado da Polícia Federal, contou que lobby de indústrias impede trabalho contínuo de presos no Brasil

24/08/2026 17:57, atualizado 24/08/2026 17:59
Nina Quintana/Metrópoles @ninaquintana
Ex-02 da PF refuta proposta de “Alcatraz” e defende colônias para presos trabalharem

Ex-02 da Polícia Federal e ex-diretor do Sistema Penitenciário Federal, Sandro Avelar refutou propostas discutidas na disputa pela Presidência da República baseadas na política de El Salvador, como a criação de uma “Alcatraz da Selva”. Avelar, que é candidato a deputado federal pelo União Brasil no DF, defendeu reforma do sistema, com ampliação das vagas em presídios e colônias agrícolas para que detentos trabalhem. 

“Não vejo a necessidade de criação de uma Alcatraz, mas as colônias agrícolas para que o preso trabalhe, produza e devolva um pouco do prejuízo que ele criou e continua sendo mantido em virtude do preço que custa é o mínimo para o país”, declarou em entrevista ao Metrópoles. 

Avelar, que é delegado aposentado da Polícia Federal, contou que existe um lobby de indústrias fornecedoras de materiais e alimentos que impede trabalho contínuo dos detentos.

“Existe grande lobby das empresa fornecedoras das marmitas, que querem vender as quentinhas e não querem que o preso trabalhe para produzir a própria comida. Aí vem a indústria que fornece os uniformes e não quer que o preso trabalhe e prefere vender os uniformes. O sistema penitenciário merece reforma drástica e consistente, mas que implique na criação de vagas no sistema e que obrigue o preso a trabalhar”, enfatizou.

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“É impraticável, não se justifica, ter o preso custando o que custa ao Estado, muita vezes recebendo bolsas que beneficiam ele e a família do preso, e a comunidade que as vezes perdeu pai de família com trauma causado pelo preso, não recebe nenhum tipo de contribuição e ainda é obrigada com esse preço altíssimo sem que ele possa trabalhar e produzir”, acrescentou.

O delegado da PF chefiou a Secretaria de Segurança Pública do DF em 2014 e, novamente, a partir de 2023, após os atos antidemocráticos de 8 de Janeiro. Em 2024, foi eleito presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp).

Na entrevista ao Metrópoles, Avelar também falou sobre necessidade de integração das polícias com coordenação do governo federal, mas respeitando as forças de cada estado.

Pessoas em situação de rua

O ex-secretário comentou a onda de violência envolvendo pessoas em situação de rua no Distrito Federal e defendeu novo posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema.

“Esse problema sério abrange todo o país. Houve uma manifestação do Supremo Tribunal Federal na ADPF 976, em 2023, isso contribuiu para que o problema fosse agravado”, afirmou, em referência à decisão que proíbe recolhimento forçado de bens e transporte compulsório. Veja:


“Se o morador de rua tem esse tipo de salvo-conduto para poder ficar onde quiser ficar, montar barracas onde quiser montar, como se isso representasse direito do morador de rua, mas que vai claramente em detrimento ao direito do resto da população que tem esse sentimento e, muitas vezes, não é só o sentimento – é insegurança real. É um problema que envolve segurança pública, as áreas sociais, mas envolve também posicionamento do Poder Judiciário. Acho que o STF deveria se posicionar novamente desse assunto”, declarou.

Assista toda a entrevista: