Embaixador alvo de denúncias foi corregedor do Itamaraty
Diplomata comandou a Corregedoria do Serviço Exterior antes de assumir o Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong e assinar TAC

O embaixador Wladimir Valler Filho, alvo de denúncias de perseguição e intimidação feitas por funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong, conforme revelou o Metrópoles nesta quinta-feira (16/7), foi corregedor do Serviço Exterior do Ministério das Relações Exteriores (MRE) entre 2018 e 2020. Na função, era responsável pela condução de procedimentos disciplinares envolvendo servidores da diplomacia brasileira.
Ao longo da carreira, alternou missões no exterior com cargos de direção no Itamaraty. Em Brasília, foi coordenador-geral da Coordenação-Geral de Mecanismos Financeiros Inovadores para a Erradicação da Fome e da Pobreza e coordenador-geral/subchefe da Assessoria Especial de Assuntos Federativos e Parlamentares (AFEPA).
Em dezembro de 2016, assumiu a Inspetoria-Geral do Serviço Exterior (ISEX) e, no ano seguinte, passou a acumular a coordenação-geral da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Sexual e da Discriminação (CPADIS).
Em 5 de julho de 2018, foi nomeado corregedor do Serviço Exterior. No cargo, conduziu procedimentos disciplinares e fiscalizou o cumprimento dos deveres funcionais de servidores do Itamaraty no Brasil e no exterior.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularEm setembro de 2020, assumiu a chefia do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, onde permaneceu até 2024. No exterior, também serviu na representação permanente do Brasil em Nova York.
No segundo semestre de 2024, teve o nome aprovado pelo Senado para comandar o Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong, na China, com jurisdição também sobre Macau, posto que ocupa atualmente.

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As denúncias reveladas pelo Metrópoles foram encaminhadas ao Itamaraty por meio de duas cartas coletivas nas quais funcionários atribuem a Wladimir Valler Filho condutas que, segundo os signatários, tornaram o ambiente de trabalho “insustentável”.
Entre os relatos, os autores afirmam que decisões eram tomadas de forma unilateral, que três servidoras tiveram as funções esvaziadas e que uma delas foi removida após formalizar preocupações sobre a gestão do posto.
Os signatários também afirmam que o embaixador dizia poder remover “seus assessores, de todos os níveis, para onde quisesse”, o que, segundo eles, ampliava o receio de punições.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores confirmou o recebimento das duas cartas encaminhadas pelo Sinditamaraty e informou que as denúncias foram protocoladas na Corregedoria do Serviço Exterior, dando origem a procedimento investigativo que resultou na proposta e na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
A pasta acrescentou que “a remoção da servidora mencionada na consulta não tem qualquer relação com os fatos objeto do procedimento investigativo em questão”.
O extrato do TAC, publicado em 26 de junho de 2026, informa que Wladimir Valler Filho se comprometeu a adequar sua conduta aos deveres previstos no artigo 116, inciso XI, da Lei nº 8.112/1990, que determina tratamento com urbanidade, e no artigo 28, inciso I, da Lei nº 11.440/2006, que estabelece a obrigação de manter conduta compatível com o decoro da função diplomática.
O acordo prevê prazo de cumprimento de 12 meses.











