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“Amava viver”, diz filha da 27ª vítima de coronavírus no DF

Celina Xavier Gontijo era servidora pública aposentada e morava em Águas Claras. Família contesta informação de que ela tinha comorbidades

atualizado

Material cedido ao Metrópoles
Celina Xavier Gontijo, 63 anos, é a 27ª vítima de coronavírus no DF

A família da 27ª vítima do novo coronavírus no DF, Celina Xavier Gontijo (foto em destaque), 63 anos, disse à coluna Grande Angular que a aposentada estava saudável antes de ser infectada.

Servidora pública aposentada da Secretaria de Educação do DF e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a moradora de Águas Claras morreu nesse sábado (25/04). “Minha mãe era a vida em pessoa. Amava viver. Estava fisicamente ativa e se alimentava superbem. Uma mulher incrível”, disse Rebecca Gontijo, 33, em nome da família.

A aposentada foi internada no Hospital das Forças Armadas (HFA) em 31 de março. No dia 1º de abril, precisou ser entubada e transferida para a unidade de terapia intensiva (UTI).

O GDF comunicou que Celina tinha distúrbios metabólicos, considerados comorbidades, mas a família contesta a informação. “Ela não apresentava nenhuma comorbidade. Não era diabética, hipertensa e não tinha distúrbio metabólico. Tanto não tinha que em nenhum dia tocaram nesse assunto”, afirmou Rebecca.

“No sábado, a gente esteve no hospital e ninguém falou nada novamente. O que aconteceu com a minha mãe foi: ela teve a síndrome aguda respiratória e evoluiu para um quadro muito grave. Dentro da UTI, teve pneumonia bacteriana e isso acabou com ela. Me recuso que seja registrado que ela tinha comorbidade”, declarou.

Celina morava com o marido em Águas Claras, terceira região com maior número de casos do coronavírus no DF, atrás do Plano Piloto e do sistema penitenciário. Ela deixa três filhos e marido.

O último boletim da Covid-19 divulgado pela Secretaria de Saúde do DF, na noite desse sábado, aponta que Águas Claras tem 95 casos e três óbitos.

Quarentena

Rebecca contou que a mãe cumpriu o isolamento social, iniciando a quarentena no dia 17 de março. “Eu fazia compras, ia na farmácia para ela e deixava tudo na portaria. Ela não tinha saído de casa”, afirmou.

A falta de cuidados para evitar a proliferação do coronavírus em Águas Claras é observada pela filha da vítima. “Eu moro lá e as pessoas andam como se nada estivesse acontecendo. O comércio está lotado e ninguém está de máscara”, desabafou.

Poesia

Marido da enteada de Celina, Marcus Vinicius Bergamin publicou nas redes sociais uma poesia em homenagem à aposentada. “Quando o dia amanheceu tão lindo, depois de tantos chuvosos dias, percebi que tu estavas indo, mudando em luz o céu pr’onde ias”, diz um trecho.

“Vai com Deus, que a paz d’Ele não falha. Tu sabes que a vida não termina! E se a luz da manhã é matutina, a luz que é do céu é luz Celina”, declara outra parte.

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Sinpro-DF

O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) publicou uma nota sobre o falecimento de Celina. A entidade disse que a servidora atuou no Plano Piloto e em São Sebastião, quando estava na ativa.

“Apaixonada pela educação, Celina passou a paixão para o filho, professor de música da Escola de Música de Brasília. Devido às preocupações decorrentes da pandemia, o corpo será cremado”, comunicou. “O Sindicato dos Professores presta toda sua solidariedade à família e aos amigos neste momento de dor”, assinalou.

O que diz a Saúde e o HFA

A Secretaria de Saúde confirma a existência de distúrbios metabólicos da paciente. “No entanto, não pode detalhá-los, em função do sigilo de prontuário”, ressaltou a pasta, por meio de nota.

Informou ainda que as mortes registradas em hospitais que não são da rede pública do DF são devidamente notificadas e analisadas pelas comissões de investigação de óbito das unidades onde ocorreram, de acordo com norma estabelecida pelo Ministério da Saúde.

A informação sobre cada óbito é relevante para monitoramento de alterações do padrão referente ao grupo de risco.

O Ministério da Defesa, por intermédio do Hospital das Forças Armadas (HFA), informa que segue o preconizado pelo Código de Ética Médica. “Assim, o hospital está impedido de fornecer qualquer informação sobre o assunto”, destacou.

“Conforme a legislação supracitada, toda e qualquer informação constante no prontuário de um paciente é sigilosa, podendo ser fornecida apenas ao próprio paciente. Em caso de falecimento, somente a família poderá ter acesso às informações”, acrescentou.

Apontou também que, no caso de óbito decorrente da Covid-19, o HFA comunica o fato por meio do sistema de notificação previsto na legislação específica.






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