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Selvageria das torcidas: o futebol pede socorro!
As autoridades são lenientes com as barbaridades. E é exatamente esse silêncio que faz o futebol gritar cada vez mais alto por ajuda
atualizado
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Cena 1 – No dia 24/2, torcedores do Bahia jogaram bombas no ônibus do clube, momentos antes do jogo contra o Sampaio Corrêa, pela Copa do Nordeste. O goleiro Danilo Fernandes sofreu ferimentos graves;
Cena 2 – No mesmo dia, a torcida do Náutico, revoltada com a eliminação do seu time na Copa do Brasil para o modesto Tocantinense, recepcionou com pedras a van que transportava a equipe. Por sorte, ninguém se feriu.
Cena 3 – Em Porto Alegre, no dia 26/2, o ônibus do Grêmio foi alvo de pedradas na chegada ao Estádio Beira-Rio, antes do Gre-Nal. O atleta paraguaio Mathias Villasanti, foi ferido na cabeça;
Cena 4 – Em Curitiba, na mesma data, torcedores do Paraná, inconformados com a derrota para o União, invadiram o gramado e passaram a perseguir os jogadores para agredi-los. O Paraná foi rebaixado para a segunda divisão estadual;
Cena 5 – Neste domingo (6/3), horas antes do clássico Cruzeiro x Atlético, uma briga entre torcidas deixou pelo um morto e uma pessoa baleada, no bairro Boa Vista, Região Leste de Belo Horizonte.
Observe-se que esses episódios de violência e selvageria protagonizados por torcedores aconteceram em menos de duas semanas. Muitos desses ataques são combinados em trocas de mensagens nas redes sociais, que reproduzem o ódio e a intolerância, principalmente em determinadas torcidas organizadas.
O futebol está pedindo socorro. O estádio de futebol deixou de ser um lugar de lazer e entretenimento. Muitos pais têm medo de levar os filhos aos jogos, porque o grito de horror esta se sobrepondo ao grito de gol.
Tragédia de Heysel
No sábado (5/3), cenas chocantes de uma pancadaria interromperam a partida entre Querétaro e Atlas, pelo Campeonato Mexicano. A primeira informação era de que houve mortes, mas, felizmente, não se confirmou. Foram dezenas de feridos.
A maior de todas as tragédias da história do futebol aconteceu na final da Champions League 1984/1985, no Estádio de Heysel, na Bélgica, no jogo entre Juventus e Liverpool. Uma briga generalizada na arquibancada provocou 39 mortes.
Depois daquilo que ficou conhecido como a Tragédia de Heysel, chegou-se à conclusão de que algo precisava ser feito, e que os hooligans (torcedores ingleses responsabilizados pela confusão) precisavam ser extintos.
A UEFA, então, puniu os clubes da Inglaterra, que foram excluídos de todas as competições europeias por um período de cinco anos.
Aqui no Brasil, já passou da hora de as autoridades tomarem medidas mais enérgicas para conter essa selvageria de torcedores. Os incidentes se repetem, se multiplicam e, lamentavelmente, não acontece nada. Somos extremamente lenientes com as barbaridades.
E é exatamente esse silêncio que faz o futebol gritar cada vez mais alto por socorro.
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