
Fabio SerapiãoColunas

Vídeo: ex-sócio de Nelson Wilians escondeu Ferrari em shopping, diz PF
Veículo está vinculado à empresa de Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, que foi alvo de buscas da PF na última sexta-feira (12)
atualizado
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Investigação da Polícia Federal (PF) sobre suposto vazamento de informações privilegiadas sobre a operação Sem Desconto, que mira fraudes no INSS, mostra que o ex-sócio do advogado Nelson Wilians escondeu uma Ferrari e outros dois carros de luxo em um shopping de Brasília no dia anterior à deflagração da operação, em 23 de abril.
Além da Ferrari, foram identificados pela PF duas Mercedez-Benz que foram estacionadas no shopping Pier 21 em 22 de abril, levantando suspeitas sobre tentativa de ocultar bens dos agentes. Os três veículos estão vinculados a uma microempresa de Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti. Veja:
Como mostrou a coluna, o ex-sócio de Nelson Wilians, assim como o próprio advogado, foram alvo de busca e apreensão pela PF na última sexta-feira (12), durante a operação Cambota, desdobramento da Sem Desconto.
Segundo a PF, os carros foram estacionados no shopping na noite de 22 de abril, véspera da operação Sem Desconto, que investiga descontos milionários de aposentados e pensionistas do INSS por meio de descontos associativos.
No dia 25 de abril, após receber informações sobre a suposta ocultação dos veículos, a PF foi ao local, momento em que foi verificada a veracidade da denúncia.
“Durante o cumprimento da diligência o primeiro elo de ligação entre a ocultação de patrimônio e vazamento de parte da Operação Sem Desconto para alguns dos investigados começou a ser descortinada”, afirma a PF em representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as ações da semana passada.
Durante a diligência, conforme narra a corporação, enquanto o agente guardava a disponibilização de imagens do sistema de monitoramento, visualizou um indivíduo circulando em torno de dois dos veículos, “observando os autom[oveis de forma minuciosa, o que chamou atenção”.
O agente, então, passou a acompanhar o indivíduo, verificando se tratar de Danilo Carvalho Antunes, filho de Antonio Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como suposto operador do esquema e tido como um dos principais investigados do caso.
Segundo a PF, Danilo chegou no estacionamento por volta das 18h, estacionando ao lado da Ferrari e de uma das Mercedes. Ele então desembarcou do veículo, indo em direção aos veículos e passa a digitar mensagens em seu celular. Depois, foi em direção ao shopping, “trajeto que seria seu caminho primário caso não tivesse ‘supervisionado’ os automóveis de luxo deixados no local na noite anterior á deflagração da operação policial”.
Na continuidade da investigação, a PF solicitou as imagens das pessoas responsáveis por estacionar os carros dias antes, sendo possível identificar dois dos três motoristas. Na manhã de 30 de abril, 8 dias depois dos carros serem estacionados no local, um dos indivíduos retornou ao local e retirou os três veículos de luxo, pagando, segundo a PF, pelos custos referente à estadia no período.
Já a análise dos carros foi possível indicar que os três veículos de luxo estavam vinculados à FAC Negócios e Investimentos Unipessoal, microempresa de Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti.
Segundo a PF, a empresa é proprietária de 23 veículos, quase todos de alto valor, “sendo relevante observar que nenhuma das empresas vinculadas a esse indivíduo apresenta quadro de funcionários”.
Nessa esteira, a corporação também chama atenção para outras vinculações societárias de Cavalcanti. De acordo com a representação, pesquisas em bancos de dados mostraram que outra microempresa, que também tem Cavalcanti como titular, tem 20% do capital social da NW Group. Outros 80% é composto pela NW Participações Unipessoal. Todo o grupo, diz a PF, é representado legalmente pelo advogado Nelson Wilians -indicando sua proximidade com o dono formal dos veículos.
A PF também aponta que Cavalcanti consta como administrador da NW Solções e Recuperação de Crédito, que tem como um dos titulares justamente Nelson Wilians.
“Neste contexto, em que pese os veículos estarem formalmente vinculados a Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, os elementos de informação até então angariados indicam que se tratava de bens pertencentes ao advogado Nelson Williams”, conclui a PF.
Defesa
Em nota divulgada na sexta-feira (12), quando foi alvo da operação da PF, a defesa de Nelson Wilians afirmou que tem colaborado integralmente com as autoridades e que “confia que a apuração demonstrará sua total inocência”. Também disse que a ligação entre ele e um dos investigados s restringe à relação profissional.
“Nelson Wilians já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados — seu cliente na área jurídica — é estritamente profissional e legal, o que será comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil comprovação”, afirma.
“Ressaltamos que a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. O advogado permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência”, escreveu.
Já a defesa de Maurício Camisotti, preso no mesmo dia, afirma que não há qualquer motivo que justifique sua prisão no âmbito da operação que apura fraudes no INSS e aponta para uma “arbitrariedade” supostamente cometida durante a ação policial.
Segundo os advogados, Camisotti teve seu celular retirado das mãos no exato momento em que falava com seu advogado. “Tal conduta afronta garantias constitucionais básicas e equivale a constranger um investigado a falar ou produzir prova contra si próprio”, afirma a defesa.
“A defesa reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e assegurar o pleno respeito aos direitos e garantias fundamentais do empresário”, conclui a nota.
