
Fabio SerapiãoColunas

Quem são os alvos por crimes ambientais que renderam R$ 1,5 bilhão
PF e CGU cumprem 22 mandados de prisão em MG; um deles é contra empresário que tem mineradora na Serra do Curral
atualizado
Compartilhar notícia

A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controldoria-Geral da União (CGU), cumpre na manhã desta quarta-feira (17/9) 22 mandados de prisão contra investigados por manterem um esquema que rendeu R$ 1,5 bilhão com crimes ambientais e corrupção.
Além das prisões, também são cumpridos 79 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, além do bloqueio de bens e ativos e afastamento de servidores lotados em órgãos públicos.
Veja os principais alvos dos mandados de prisão preventiva:
- Alan Cavalcante Nascimento, apontado como líder do esquema e dono de jazida de minério na Serra do Curral
- Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM)

- Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da Polícia Federal

- João Alberto Paixão Lages, sócio de Alan na empresa de mineração Gutesiht desde 2020. Ele é apontado pela PF como responsável pelo “lobby” e articulação junto ao poder público

- Helder Adriano de Freitas, também empresário e sócio de Alan na Gutesiht. Ele é tido como “diretor operacional” do esquema, tendo grande conhecimento prático de mineração.
Como mostrou a coluna, a investigação aponta que o grupo teria corrompido servidores públicos em diversos órgãos estaduais e federais de fiscalização e controle na área ambiental e de mineração para obter autorizações e licenças ambientais fraudulentas.
Essas autorizações eram utilizadas para explorar irregularmente minério de ferro em larga escala, incluindo locais tombados e próximos a áreas de preservação. Segundo a PF, a s atividades teriam graves consequências ambientais e elevado risco de desastres sociais e humanos.
Veja os servidores públicos com determinação de afastamento:
- Fernando Baliani da Silva, servidor da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM)

- Breno Esteves Lasmar, servidor do Instituto Estadual de Florestas (IEF)

- Fernando Benício de Oliveira Paula, servidor do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam)
“A organização criminosa teria atuado para neutralizar a ação do Estado, dificultando as investigações e monitorando autoridades. Além disso, utilizou diversos artifícios para lavar o dinheiro obtido com as práticas ilícitas”, afirma a PF.
A estimativa é que as ações criminosas rendiam ao grupo ao menos R$ 1,5 bilhão, mas a PF destaca que foi identificado projetos em andamento vinculados à organização criminosa com potencial econômico superior a R$ 18 bilhões.
Os investigados poderão responder por crimes ambientais, usurpação de bens da união, corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e embaraçamento à investigação de organização criminosa.
