Fabio Serapião

PF: vazamentos no STJ eram para construir “redes de influência”

PF aponta que informações vazadas de inquéritos sigilosos eram também para proteção de aliados e para frustrar ações policiais

atualizado

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Divulgação/PF
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1 de 1 foto-policia-federal - Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) afirma que o objetivo do grupo suspeito de vazar informações de inquéritos sigilosos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) era proteger aliados, frustrar ações policiais e construir redes de influência.

Como mostrou a coluna, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), um advogado e um policial são alvos de mandado de prisão nesta sexta-feira (27/6) na nova fase da operação Sisamnes, que apura venda de sentença e vazamento de informações sigilosas de inquéritos que tramitam no STJ.

As medidas foram autorizadas pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, e são cumpridas em Palmas, no Tocantins. A investigação sobre vazamento faz parte da apuração sobre venda de sentenças no STJ apurada na operação Sisamnes.

“A apuração revelou indícios de que informações confidenciais estariam sendo antecipadamente acessadas, articuladas e repassadas a investigados, com o envolvimento de agentes públicos, advogados e operadores externos”, diz a PF.

Imagem colorida mostra eduardo siqueira - Metrópoles
Eduardo Siqueira Campos, prefeito de Palmas

Vazamentos

No caso da Sisamnes, o prefeito de Palmas passou a ser investigado depois de a PF encontrar mensagens no celular de um desembargador do Tribunal de Justiça de Tocantins que indicavam o recebimento de informações sobre uma operação realizada em 2024.

O envio de informações avisando sobre a ação da PF teve origem, diz a PF, no sobrinho do atual governador de Tocantins, Wanderlei Barbosa, chamado Thiago Barbosa. Foi no celular dele que a PF encontrou as conversas com Siqueira Campos.

“Ainda, a representação apresenta gravação de ligações entre Thiago Barbosa e Eduardo Siqueira Campos, tratando sobre informações sigilosas referentes às operações Fames-19 e Maximus, com detalhes que, na visão da autoridade policial, indicam conhecimento detalhado de informações sigilosas referentes aos inquéritos em trâmite”, diz trecho da decisão da fase anterior da Sisamnes.

Como mostrou a coluna da Mirelle Pinheiro, em um diálogo em posse da PF o prefeito de Palmas diz ter recebido informações de um ministro do STJ pouco tempo antes de uma operação ser deflagrada em 2010.

No diálogo com o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), o prefeito afirma que o ministro João Otávio de Noronha, do STJ, teria lhe passado informações antecipadas sobre a operação da PF.

“Esse Noronha, há 15 ou 18 anos, ele me chamou em Brasília e falou para mim: ‘Siqueira, só para avisar ao teu pai que vão ser afastados quatro desembargadores’, disse o prefeito agora preso na mensagem.

A operação citada por ele era a Maet, deflagrada em dezembro de 2010, e o relato do caso era o mesmo ministro João Otávio de Noronha citado por Siqueira Campos.

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