
Fabio SerapiãoColunas

PF cita “papel central” de Júnior Mano em desvios ao enviar caso para STF
Em decisão que enviou caso de Júnior Mano ao STF, juiz cita dado da PF sobre atuação em compra de votos e desvio de dinheiro
atualizado
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O deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) exercia papel central no esquema investigado pela Polícia Federal (PF) de desvios de recursos públicos e fraudes em licitações no Ceará.
A informação consta em decisão do juiz de 1ª Instância que enviou a investigação para o Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2024. Atualmente, a apuração é relatada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, que autorizou as buscas contra o deputado nesta terça-feira (8/7).
Na decisão, o juiz da 1ª Instância cita a participação do parlamentar na “manipulação dos pleitos eleitorais, tanto por meio da compra de votos, quanto pelo direcionamento de recursos públicos desviados de empresas controladas pelo grupo criminoso.”
Ainda segundo o magistrado, naquele momento da investigação, a Polícia Federal havia juntado indícios de que Júnior Mano estava envolvido “no desvio de recursos oriundos de emendas parlamentares, utilizados para alimentar o esquema e consolidar sua base de apoio político”.
Como mostrou a coluna, o gabinete na Câmara dos Deputados de Júnior Mano, a residência oficial em Brasília e um imóvel em Fortaleza foram alvos de busca na operação Underhand.

Na 1ª Instância, a PF já havia realizado duas ações para avançar na apuração do esquema que agora envolve o parlamentar: a Mercato Clausu e a Vis Occulta.
O grupo investigado tem como um dos envolvidos o prefeito de Choró (CE), Carlos Alberto Queiroz Pereira, conhecido como “Bebeto do Choró”.
Júnior Mano apareceu no caso após a prefeita da cidade de Canindé denunciar o envolvimento do deputado com o prefeito de Choró no esquema de compra de votos e envio de emendas.
Segundo a denunciante, o parlamentar encaminhava as emendas para o prefeito que seria responsável por “lavá-las”. “A lavagem consiste em contatar o gestor, oferecendo como exemplo um milhão com retorno de 15% para ele”, disse em depoimento. Ao menos 51 cidades teriam recebido valores, segundo a prefeita.
