Fabio Serapião

PCC: fundos blindavam patrimônio em vez de valorizar capital, diz PF

Operação Quasar da Polícia Federal (PF) bloqueou mais de R$ 1 bilhão de fundos suspeitos de ligação com o PCC

atualizado

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Divulgação/Polícia Federal
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1 de 1 pf operação desarticula tráfico de drogas aeronaves - Foto: Divulgação/Polícia Federal

Uma das duas operações da Polícia Federal (PF) deflagrada na quinta-feira (28/8) mirou fundos de investimentos utilizados pelo crime organizado para lavar dinheiro.

A operação Quasar cumpriu doze mandados de busca em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto para avançar na apuração sobre o uso desses fundos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com os investigadores, esses fundos, normalmente utilizados para valorizar o dinheiro investido, no caso do PCC servia como uma força de blindar o patrimônio ilícito dos criminosos.

“O objetivo central dessas operações não era a valorização do capital, mas a blindagem patrimonial contra execuções fiscais e a ocultação da origem ilícita dos recursos”, diz a PF sobre a utilização dos fundos.

De acordo com os investigadores, o objetivo dos fundos era ocultar a origem ilícita do dinheiro por meio da criação de “múltiplas camadas societárias e financeiras”.

Os fundos possuíam participação em outros fundos e empresas e criavam, na visão dos investigadores, “uma teia complexa que dificultava a identificação dos reais beneficiários.”

Com a colaboração da Receita Federal, a PF mapeou o esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado e percebeu que ele servia para ocultar o patrimônio de empresários ligados à cadeia produtiva de combustíveis.

Bomba de combustível abastecendo veículo com combustível Metrópoles

Apontado como líder do grupo e com ligação com o PCC, o empresário Mohamad Hussein Mourad foi um dos alvos das operações deflagradas pela PF.

“Entre as estratégias utilizadas estavam operações de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — realizadas entre empresas do mesmo grupo ou ligadas aos beneficiários, sem propósito econômico legítimo”, diz a PF.

Em alguns casos, o dinheiro era movimentado de forma artificial entre as empresas somente para dar aparência lícita às transações e aos valores.

Por causa do uso dos fundos, três gestoras da Faria Lima foram alvos da operação Quasar.

No total, a Justiça Federal em São Paulo autorizou o bloqueio de R$ 1,1 bilhão desses fundos e a quebra de sigilo dos envolvidos.

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