
Fábia OliveiraColunas

Virginia Fonseca: bullying e assédio psicológico são aceitáveis?
A influenciadora foi coroada como Rainha de Bateria da Grande Rio, no fim de semana, e virou alvo de piadas nas redes sociais
atualizado
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O curioso da vida é a forma seletiva com que reagimos às situações. Casos de assédio moral, psicológico ou até físico nos comovem e despertam empatia. Mas quando uma mulher decide se lançar em algo novo, algo que nunca fez antes mas que deseja aprender, o que fazemos? Criticamos, humilhamos, ironizamos.
É exatamente isso que está acontecendo com Virginia Fonseca. Todos sabem que ela não é uma passista profissional. Mesmo assim, aceitou o desafio de ser Rainha de Bateria.
Vale lembrar que as grandes musas do Carnaval dos anos 80, 90 e 2000 — de Luma de Oliveira a Luiza Brunet, de Juliana Paes a Paolla Oliveira — em suas primeiras empreitadas no samba nunca foram avaliadas apenas pelo “samba no pé”. O que se destacava era a dedicação, o carisma e, sobretudo, o amor pela escola.
Bullying digital
Hoje, em tempos de radicalismo, parece que fazer piada virou um ato de validação social. Criticar virou esporte. Bullying digital se tornou permitido — e, pior, incentivado. Os mesmos que humilham figuras públicas na internet, como Virginia Fonseca ou Patrícia Poeta, são muitas vezes aqueles que cobram respeito e empatia em outras esferas. A contradição é gritante.
No fim das contas, a vida tem dessas ironias: o que antes era visto como coragem e entrega virou motivo de chacota. Talvez esteja na hora de refletirmos menos sobre o “quanto alguém sabe fazer” e mais sobre o “quanto alguém está disposto a tentar”.

















