Vini Jr.: harmonização melhora rosto, mas não a respiração pela boca
Médico alerta que estética não substitui o tratamento funcional e que dificuldades respiratórias podem impactar a saúde e a harmonia facial

A recente mudança no contorno facial de Vini Jr. reacendeu um debate que vai além da estética: até que ponto a harmonização facial é capaz de corrigir questões estruturais do rosto?
O jogador, que realizou um procedimento para valorizar a definição do queixo, voltou a ser assunto nas redes sociais, mas especialistas chamam atenção para um detalhe importante: a respiração pela boca não é resolvida com preenchimentos faciais.

Receba no seu email as notícias da coluna Fábia Oliveira
Frequência de envio: Diário
Ver todasHarmonização x problema respiratório
Para o cirurgião plástico facial e especialista em rinoplastia Guilherme Scheibel, a harmonização pode trazer um ganho estético relevante, mas não atua sobre a causa do problema respiratório.
“A harmonização melhora o contorno e a projeção do queixo, o que pode deixar o rosto mais equilibrado visualmente. Porém, se o paciente tem dificuldade para respirar pelo nariz, o procedimento não corrige essa alteração funcional”, explicou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA respiração bucal crônica pode estar associada a desvio de septo, rinite, aumento dos cornetos nasais e outras condições que dificultam a passagem do ar. Com o tempo, esse padrão respiratório pode interferir na musculatura da face, na posição da língua e até na forma como o rosto se desenvolve e se mantém ao longo da vida adulta.
Estética com resultado limitado
Segundo o médico, muitos pacientes procuram procedimentos faciais em busca de um rosto mais harmônico sem perceber que a principal alteração está relacionada à função respiratória.
“Quando a pessoa respira pela boca, existe uma adaptação muscular constante. O rosto pode parecer mais alongado, o queixo menos projetado e os lábios ficam frequentemente entreabertos. O preenchimento consegue camuflar parte disso, mas não elimina a origem da alteração”, afirmou.
O especialista destacou, ainda, que sinais como dormir de boca aberta, roncar, acordar com a boca seca e sentir cansaço frequente devem ser investigados por um profissional.
Tratamento ideal vai além da harmonização
Nos casos em que há obstrução nasal, a abordagem mais adequada costuma envolver avaliação otorrinolaringológica e, em alguns pacientes, rinoplastia funcional associada à correção do septo nasal.
“O nariz tem uma função respiratória essencial. A rinoplastia funcional busca melhorar a passagem do ar e devolver uma respiração mais eficiente, mantendo a estética natural do rosto. Quando o paciente passa a respirar melhor, ele costuma relatar melhora do sono, da disposição e da qualidade de vida”, observou Scheibel.
O médico lembrou também que o tratamento pode exigir acompanhamento multidisciplinar, com ortodontista e fonoaudiólogo, dependendo da causa da respiração bucal.
O que o caso de Vini Jr. ensina
A mudança estética de Vini Jr. pode ter contribuído para valorizar os traços faciais e aumentar a autoestima, mas também ajuda a levantar uma discussão importante: beleza e função precisam caminhar juntas.
“Procedimentos estéticos têm seu valor e podem trazer benefícios emocionais, mas respirar bem é uma necessidade básica do organismo. Quando existe uma dificuldade respiratória persistente, o mais importante é investigar a causa e tratar o problema de forma adequada”, concluiu.
A recomendação dos especialistas é que pacientes interessados em harmonização facial aproveitem a consulta para avaliar também a saúde respiratória. Em muitos casos, corrigir a função nasal é o que permite alcançar um resultado facial mais equilibrado e duradouro”.



















