
Fábia OliveiraColunas

Taís Araújo faz desabafo sincero e critica rumo de Raquel em Vale Tudo
A atriz revelou sua frustração com os rumos da personagem: “Como artista negra, gostaria de ver uma outra narrativa sobre mulheres negras”
atualizado
Compartilhar notícia

Taís Araújo não escondeu sua frustração com os rumos de sua personagem Raquel Accioli no remake de Vale Tudo, da TV Globo. A atriz fez um desabafo sincero após a protagonista da trama ser sabotada por Odete Roitman (Deborah Bloch), voltando à estaca zero, vendendo sanduíches na praia.
Para a artista, o retrocesso não apenas destoa da narrativa original, mas também representa uma oportunidade perdida de contar uma nova história sobre a mulher negra brasileira.
“Esse momento da Raquel voltar a vender sanduíche na praia, confesso que recebi com um susto. Porque não era a trama original. Então, para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente’. Aí eu entendi e também falei: ‘OK, mas ela está escrevendo uma parte da história’. Vamos embora fazer”, contou Taís em entrevista à Quem.
O tom de desabafo ecoou entre o público, especialmente nas redes sociais, onde fãs lamentaram a queda da personagem que simbolizava ascensão social por mérito e esforço. Taís endossou a decepção dos espectadores:
“Também tinha a esperança disso e gostaria muito de vê-la assim. Como mulher negra, como artista negra, de ver uma outra narrativa sobre mulheres negras”, disse ela.
Para a atriz, Raquel carregava um simbolismo profundo desde o início do projeto: “Quando peguei a Raquel para fazer, falei: ‘Cara, a narrativa dessa mulher é a cara do Brasil. E ela vai ter uma ascensão social a partir do trabalho. Vai ser linda e ela vai ascender e ela vai permanecer’. Isso vai ser uma narrativa muito nova do que a gente vê sobre representação da mulher negra na teledramaturgia brasileira. Quando vejo que isso não aconteceu, como uma artista que quer contar uma nova narrativa de país, e a dramaturgia proporciona isso, confesso que fico triste e frustrada”.
Taís reforçou ainda que o público brasileiro está mais do que pronto para ver essa virada de chave na representação da mulher negra: “É urgente que a gente se veja nesse lugar. E acho que a Raquel tinha todas as possibilidades da gente contar essa nova narrativa dessa mulher. E quando li, pensei: ‘Ai, meu Deus, não vai ter? Não, não vai ter’. Tenho que lidar com a realidade que me cabe, que é a de uma intérprete, de uma personagem, que não é escrita por mim”.
Mesmo decepcionada, a atriz garante que não abaixou a guarda, assim como Raquel: “E com respeito enorme a todas as mulheres que Raquel representa, vou até o final defender essa personagem porque acredito nessa mulher. Acredito nessa mulher negra que trabalha para manter uma família, que acende socialmente, que se dedica, que é uma mulher séria, capaz, competente”, elogiou.
Taís Araújo completou sobre a personagem: “Ela não ia ficar chorando, ela ia levantar e trabalhar. É o que as mulheres desse país fazem. As que estão na base da pirâmide. Elas levantam e são bravas, são valentes, são corajosas, elas vão trabalhar. Eu gostaria muito que a Raquel tivesse uma curva ascendente, poderosa, que a batalha dela fosse outra e não a batalha pela sobrevivência”, destacou.
De olho na audiência
Taís Araújo ainda contou que está de olho em tudo o que o público fala sobre a trama nas redes sociais.
“Estou vendo tudo que as pessoas tão falando, tá, gente? Vendo, escutando, lendo, entendendo. Me alio para caramba com vocês nesse sentimento. Inclusive, às vezes de frustração. De querer um outro movimento. Gostaria muito mesmo que a batalha que ela tivesse, o conflito em si, fosse de outra ordem. Conflitos éticos com Odete, por exemplo. E aí quando não tem, a gente tem que lidar com o que tem. E o que tem é isso”, apontou.
A atriz torce para que a personagem tenha um rumo melhor. “Raquel é um exemplo de mulher. Ela é um exemplo para mim. Sempre vou deixá-la absolutamente humana e ainda falta novela aí. Torço para que ela consiga reverter a situação, que ela consiga se estabelecer financeiramente, colocar em prática tudo o que ela tanto fala e se dedica”, desejou.
“Espero realmente que a vida devolva a ela o que ela dá para a vida. Porque aí a gente vai ter uma narrativa que é muito interessante. Aí a gente vai ter uma narrativa que acho ser uma narrativa contemporânea. Está na hora da gente ver a população negra nesse lugar”, disse ela.
E completou: “A vida do empreendedor não é fácil. Mas a gente conhece muitas histórias de sucesso. E para além das histórias que a gente conhece, a ficção, ela serve para a gente se sentir possível, para sonhar. Ela tem um trabalho de responsabilidade sim na construção da narrativa, de um país. E como o país entende um povo. Então, acho que é sobre isso também”, concluiu Taís Araújo á Quem.











