
Fábia OliveiraColunas

Shakira: sindicato se manifesta após morte de homem e expõe medida
Hugo Gross, presidente do Sindicato dos Artista, falou sobre a morte de um técnico de segurança do trabalho durante a montagem do palco
atualizado
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Hugo Gross, presidente do Sindicato dos Artistas do Rio, se manifestou sobre a morte de um técnico de segurança do trabalho durante a montagem do palco para o show da cantora Shakira, na Praia de Copacabana. Em texto enviado à coluna Fábia Oliveira, o ator destacou as condições precários que os profissionais costumam ser expostos. Ele ainda informou que a instituição entrará com uma “ação de obrigação de fazer” contra a empresa responsável pelo evento.
“Há que se denunciar o preço que o município do Rio de Janeiro está disposto a pagar para se destacar no cenário do show business internacional. Se por um lado, há toda uma estrutura profissional para receber um artista internacional, por outro, há uma grande discriminação com o trabalhador da cultura que faz o show acontecer, o técnico, sobretudo o terceirizado que se expõe a jornadas exaustivas e condições precárias e degradantes de trabalho”, começou.
Gross ainda falou sobre a falta de fiscalização do Ministério Público do Trabalho. “Na montagem do palco, atrás das coxias, nos bastidores, há um exército de profissionais expostos a assédios, sobrecargas de trabalho, riscos ignorados e um submundo trabalhista que a prefeitura e a fiscalização do Ministério do Trabalho insistem em ignora”, disparou.
O presidente do Sated-RJ também pontuou: “A cada grande evento, o SATED-RJ encaminha um conjunto de demandas para que os órgãos públicos tomem as devidas providências, fato constantemente ignorado sob a desculpa de que faltam fiscais para checar as denúncias que chegam”.
Nota de repúdio
O Sindicato dos Artistas também emitiu uma nota de repúdio sobre o caso e se solidarizou com familiares e amigos do profissional que faleceu.
“Nenhum espetáculo, produção ou show pode estar acima da vida de um trabalhador”, destacou a instituição.
Leia abaixo na íntegra:
“O Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro(SATED-RJ) manifesta profundo pesar pela morte do trabalhador técnico Gabriel de Jesus Firmino de apenas 28 anos, ocorrida durante a montagem do show da cantora Shakira, e se solidariza com seus familiares, amigos e colegas de profissão neste momento de dor.
A tragédia expõe novamente os riscos da terceirização indiscriminada, da pejotização e da fragilidade nas relações de trabalho que ainda persistem em muitas produções culturais. Algumas produtoras de shows internacionais, como esta Bônus Track, que recebem inclusive verbas públicas para projetos, se recusam a regularizar a situação e tentam descumprir a lei 6533/78, incluindo as taxas e regras de proteção ao artista e técnico nacional, tudo para não pagar e omitir fiscalizações trabalhistas e sindicais. Quando a redução de custos se sobrepõe ao cumprimento da legislação, a segurança dos trabalhadores fica em segundo plano.
O SATED-RJ reforça que é indispensável o respeito ao registro profissional, a fiscalização efetiva das condições de trabalho, o cumprimento das normas de saúde e segurança e a exigência de que os contratos estejam em conformidade com a legislação trabalhista e com a devida ciência da entidade sindical.
O sindicato acompanhará a apuração do caso e cobrará a responsabilização dos envolvidos, para que episódios como este sirvam de alerta e levem as produções a regularizar suas relações de trabalho, garantindo dignidade e proteção aos profissionais dos bastidores.
Nenhum espetáculo, produção ou show pode estar acima da vida de um trabalhador”.
Entenda o caso
Um homem morreu, neste domingo (26/4), durante a montagem do palco que vai receber o show de Shakira na Praia de Copacabana, no próximo fim de semana. De acordo com testemunhas, um técnico em segurança do trabalho foi atingido por uma estrutura que desabou, chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
A Polícia Militar foi até o local e informou que a vítima foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas faleceu em seguida. O caso será investigado pela 12ª DP (Copacabana).
Um vídeo feito logo após o acidente viralizou nas redes sociais. Nas imagens, colegas de trabalho tentam tirar o rapaz, que ficou preso às ferragens.
Após a repercussão do caso, os organizadores do evento se manifestaram. “A organização do evento confirma que um acidente na tarde deste domingo (26/04) lamentavelmente vitimou um profissional que atuava na montagem das estruturas para o show”, começou a nota enviada à imprensa.
Ainda no comunicado, eles deram mais detalhes do atendimento à vítima: “Os socorristas prestaram o primeiro atendimento no local e o Corpo de Bombeiros foi imediatamente acionado para o transporte do paciente”, afirmaram. “Infelizmente, o profissional veio a óbito no hospital. Neste momento, estamos prestando todo apoio, acolhimento e solidariedade à empresa responsável, sua equipe e aos familiares da vítima”, concluíram.









