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“São transfóbicos”, desabafa Amanda Fróes sobre prisão em Dubai
Em meio às notícias de bombardeios nos Emirados Árabes, a influenciadora conversou com a coluna e recordou os momentos tensos que viveu
atualizado
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As notícias dos bombardeios que atingem os Emirados Árabes tomaram conta das redes sociais e da mídia nos últimos dias. Com isso, a influenciadora trans Amanda Fróes recordou os momentos tensos que viveu em Dubai.
Em conversa exclusiva “São transfóbicos”, desabafa Amanda Fróes sobre prisão em Dubaicom a coluna Fábia Oliveira, ela relatou: “Fui presa e impedida de entrar em Dubai porque sou trans. Eles são transfóbicos ao extremo. Eu fiquei com pavor de Dubai, o que fizeram comigo foi algo desumano e cruel”, definiu ela.
Detalhes da viagem
Em seguida, ela recordou: “Eu estava com meu companheiro francês indo pra Tailândia e a previsão era ficar três dias em Dubai. Já tava tudo confirmado: hotel 5 estrelas pago, táxi fora do aeroporto esperando a gente… Na hora que passei na imigração, o policial pegou meu passaporte folheou as páginas, me olhou nojo, viu que eu era uma mulher trans e me mandou passar”, contou, antes de completar:
“Logo ao lado da cabine de imigração, uma policial estava me aguardando. Ela me levou num local, segurou meu passaporte e pediu pra eu abrir minha mala de mão. Abri e ela revirou tudo, não encontrou nada demais, só meus medicamentos de enxaqueca.. Daí, ela revirou a mala que eu tinha despachado e encontrou, além das minhas roupas, brinquedos eróticos que usava com meu companheiro e meus hormônios”, detalhou.
Em seguida, Amanda Fróes desabafou: “Ela colocou os brinquedos eróticos numa mesa e passei o maior constrangimento. Logo depois, ela separou os medicamentos que tinha os nomes escritos nas embalagens e exigiu uma receita medica. Eu não tinha receita, eram medicamentos que ela podia pesquisar e veria do que se tratava”, desabafou.
“De pernas abertas”
Ainda durante o bate-papo, a influenciadora revelou mais situações embaraçosas pelas quais passou no aeroporto: “Em seguida, fui levada pra uma sala onde fiquei de pernas abertas e parecia um scanner gigante pra ver se tinha drogas no meu intestino. Me jogavam pra um lado e para o outro e sempre com aquele ar de deboche: eles olhavam pra mim riam e falavam em árabe. Eu não entendia nada”, lamentou.
Logo depois, ela contou que ficou por horas andando na área de imigração do aeroporto sem ter uma resposta: “Ninguém me falava porque eu não poderia entrar em Dubai, eu estava com tudo certinho, tinha dinheiro, cartão de crédito internacional, reserva de hotel e eram só três dias. Depois, seguiria minha viagem pra Tailândia”, observou.
E continuou contando: “Foi humilhação do início ao fim. Eles não me deixaram entrar em Dubai por puro preconceito e transfobia, eles imaginam que toda mulher trans que vai para aquele lugar é para se prostituir e ficar ilegal”, disparou.
12 horas detida
Na conversa com a coluna, Amanda Fróes disse que foi impedida de entrar em Dubai, ficou mais de 12 horas retida no aeroporto e depois levada pra uma cela.
“Eu já estava cansada de andar sem uma resposta do que iria acontecer comigo. Por fim, um policial veio ao meu encontro e falou que fui impedida de entrar nos Emirados Árabes Unidos. Perguntei o por que, ele deu uma risada de deboche e mandou eu acompanhá-lo.. Me deixaram numa cela horrorosa”, descreveu.
Em seguida, a influenciadora comentou que queria impedi-la de seguir seu roteiro: “Queriam me mandar pra França de volta. Eu bati o pé e insisti pra continuar minha viagem. Foi quando eles conseguiram um voo e seguimos para a Tailândia. Todo esse tempo, fiquei sem ver meu companheiro, já que ele foi separado de mim. Só no outro dia eu pude vê-lo e abraçá-lo”, descreveu.
Pediu ajuda ao governo brasileiro
Após a experiência traumática, ela contou que buscou ajuda: “Quando voltei pro Brasil, fui no Palácio do Itamaraty, conversei com pessoas ligadas a todo esse imbróglio de imigração e maus-tratos a brasileiros no exterior e eles falaram que não podiam faze nada porque cada país tem suas politicas de refusão de imigrantes…”, revelou, antes de completar:
“Eu não quero mais pisar naquele lugar, quero ir onde sou bem-vinda, mas quero deixar meu nome limpo, mesmo se não tenho previsão de voltar lá. O mundo tem lugares maravilhosos e Dubai é só uma cidade construída no deserto. Tudo é artificial, eles não têm amor pela natureza e pelos animais. Lá, o que fala mais alto é dinheiro e ostentação. Acha mesmo que vou querer voltar naquele lugar?”, questionou.
No fim, ela detonou: “Tomei ranço de Dubai, daqueles homens insensíveis, preconceituosos, que fizeram pouco caso de mim e me trataram como um saco de lixo por puro preconceito”, encerrou.











