Fábia Oliveira

Psicanalista analisa pressão em atletas após desabafo de Rayssa Leal

A skatista desabafou sobre o impacto das críticas e pressões que recebeu após a eliminação na etapa de Paris da Liga Mundial de Skate Street

atualizado

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Andrea Staccioli/Insidefoto/LightRocket via Getty Images
rayssa leal
1 de 1 rayssa leal - Foto: Andrea Staccioli/Insidefoto/LightRocket via Getty Images

A skatista Rayssa Leal usou as redes sociais para desabafar sobre o impacto das críticas e pressões que recebeu após a eliminação na etapa de Paris da Liga Mundial de Skate Street (SLS), realizada no último fim de semana em Roland Garros. O episódio reacendeu a discussão sobre a saúde mental em esportes de alto rendimento.

Dona de duas medalhas olímpicas, Rayssa ressaltou que prefere não se prender a comentários negativos e destacou a importância da terapia em sua trajetória esportiva.

“Irrelevante falar sobre isso, não gosto. Faço terapia justamente para não me sentir mal com essas coisas. Fui lá e dei meu melhor, apesar de tudo que aconteceu. Nossa estratégia foi uma, e não iríamos mudar, porque não andamos de skate por título, e sim pelo skate”, disse a atleta em uma transmissão ao vivo no Instagram.

Saúde mental

Segundo o psicanalista e professor sênior da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica (ABPC), Artur Costa, a pressão é parte inevitável da carreira de um atleta, mas pode se tornar um peso emocional quando ultrapassa os limites saudáveis.

“O atleta começa a jogar para atender expectativas do público, da mídia e dos patrocinadores, e aos poucos se desconecta do prazer e do propósito que o levaram até ali. A crítica, quando internalizada, vira autocrítica, e o corpo responde a essa tensão. Muitas vezes, por trás de quedas de desempenho, existe um cansaço psíquico. Cuidar do emocional é tão importante quanto cuidar do físico”, afirmou à coluna.

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Rayssa Leal para campanha
Rayssa Leal na sede dos Los Angeles Lakers nos Estados Unidos
Rayssa Leal venceu a terceira etapa da SLS em 2025
Rayssa Leal busca tetracampeonato mundial
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Rayssa Leal busca tetracampeonato mundial

Reprodução/ Instagram
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Rayssa Leal para campanha

Nike/Divulgação
Rayssa Leal na sede dos Los Angeles Lakers nos Estados Unidos
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Rayssa Leal na sede dos Los Angeles Lakers nos Estados Unidos

Reprodução/Redes Sociais
Rayssa Leal venceu a terceira etapa da SLS em 2025
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Rayssa Leal venceu a terceira etapa da SLS em 2025

Samuel Reis / Especial Metrópoles

Para o especialista, a terapia se apresenta como uma ferramenta essencial neste processo. “A terapia é um espaço onde o atleta pode ser mais do que o resultado que entrega. É ali que ele aprende a lidar com o medo de errar, a frustração, o perfeccionismo e até com a solidão que muitas vezes acompanha o sucesso. Durante a competição, o corpo é o instrumento, mas quem o dirige é a mente. A análise ajuda o atleta a se escutar e a ressignificar experiências difíceis, devolvendo humanidade a quem vive sendo cobrado para ser máquina”, explicou.

O profissional reforçpou que o cuidado com a mente é o que garante a continuidade da carreira. “Muitos chegam ao topo, mas não conseguem permanecer justamente porque não suportam a cobrança. A saúde emocional ajuda o esportista a lidar melhor com vitórias e derrotas, elogios e críticas, sem perder o eixo. Além disso, devolve o prazer pelo esporte e transforma a frustração em aprendizado. Mente equilibrada é sinônimo de corpo mais leve”, disse.

Artur também lembrou que corpo e mente funcionam em conjunto e um não se sustenta sem o outro. Para o especialista, o bem-estar emocional é tão importante quanto o físico e, em muitos casos, é o que diferencia um bom atleta de um atleta completo.

“O treino prepara o corpo para o movimento, já o cuidado psicológico prepara para o imprevisível. Hoje, cada vez mais equipes entendem que saúde mental não é luxo, é necessidade. Se um adoece, o outro sente imediatamente”, complementou.

No caso de Rayssa Leal, optar pelo silêncio diante das críticas pode ser uma forma saudável de lidar com o momento.

“Quando ela diz que prefere não falar sobre suas derrotas, está delimitando um espaço íntimo, protegido. Nem todo processo de elaboração precisa acontecer em público. Às vezes, o silêncio é uma pausa necessária para que a mente digira o que aconteceu sem o peso das opiniões externas. Em tempos de superexposição, saber se recolher também é um ato de saúde mental”, afirmou ele.

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