O que é carisma? Especialistas explicam após lista com famosos render
Lista de famosos citados como “menos carismáticos” reacendeu discussão sobre o que define a característica

Um ranking divulgado recentemente na imprensa causou repercussão nas redes sociais ao listar celebridades brasileiras consideradas “menos carismáticas”.
Entre os nomes citados estão Jade Picon, Rafa Kalimann, Fiuk, Bianca Bin, João Guilherme, Pedro Waddington e Duda Santos.

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A classificação levantou uma questão: afinal, o que é carisma? Para especialistas, a característica vai muito além de beleza, fama ou número de seguidores e está diretamente ligada à capacidade de gerar identificação e conexão com o público.
Julia Saidel, especialista em marketing de influência explica que o carisma está relacionado à qualidade da conexão estabelecida com a audiência.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Carisma é muito mais do que ser uma pessoa simpática ou extrovertida. No marketing de influência, ele está diretamente ligado à capacidade de gerar conexão e fazer com que o público queira acompanhar aquela pessoa. É uma combinação entre personalidade, comunicação, autenticidade e a maneira como alguém consegue criar identificação.”
Para Ana Carolina Gaivota, especialista em posicionamento e imagem, uma imagem pública forte não garante, necessariamente, proximidade com o público.
“Carisma não é sinônimo de beleza, simpatia ou popularidade. Beleza está ligada à percepção estética; popularidade, ao alcance e à exposição; e simpatia, à forma agradável como alguém se relaciona. Já o carisma está muito mais relacionado à capacidade de gerar conexão.”
Na avaliação de Gláucia Santana, psicanalista e especialista em Neurociência Aplicada ao Comportamento, do Espaço Hi, em São Paulo, existe uma diferença entre chamar atenção e criar vínculo.
“Carisma não é apenas fazer com que as pessoas olhem para você. É fazer com que elas sintam alguma coisa quando estão com você.”
Já Mariane Pires Marchetti, psicóloga especialista em ansiedade e autoestima, destaca que autoconfiança e comunicação também participam dessa percepção.
“Carisma é a capacidade de gerar conexão e despertar interesse nas outras pessoas. Envolve autoconfiança, presença, comunicação, simpatia e capacidade de fazer o outro se sentir acolhido e importante.”
Carisma pode ser desenvolvido
Segundo Mariane, sim. Para ela, embora algumas pessoas tenham mais facilidade naturalmente, características relacionadas ao carisma podem ser trabalhadas ao longo da vida.
“Algumas pessoas têm mais facilidade naturalmente, mas muitas características relacionadas ao carisma podem ser desenvolvidas com experiência e treino.”
No ambiente digital, porém, Isabela Soller, especialista em marketing de influência e empresária alerta para o risco de transformar o desenvolvimento da comunicação em uma criação de personagem.
“Sobre a possibilidade de desenvolver carisma diante das câmeras: sim, é possível, embora o público possa identificar quando uma performance é forçada.”
Para Isabela, a autenticidade também protege a própria pessoa do desgaste provocado pela necessidade de sustentar uma imagem artificial.
“Criar um personagem que não condiz com a realidade gera um desgaste insustentável a longo prazo. Por isso, defendo a autenticidade, não como uma palavra clichê, mas como a coerência entre quem se é e o que se comunica.”
Ser “menos carismático” prejudica a carreira?
Não necessariamente. Isabela explica que existem diferentes caminhos para conquistar uma audiência e construir relevância.
“O carisma não é um requisito único para o sucesso. Talentos artísticos, senso estético apurado ou competência técnica em nichos específicos permitem que criadores alcancem relevância sem depender do carisma convencional.”
Julia concorda e ressalta que essa percepção varia de acordo com cada público.
“Não existe uma régua única de carisma. O que precisamos entender é quem é aquela audiência e por que ela escolhe acompanhar determinada pessoa.”
Exposição pode produzir efeitos
A exposição também pode produzir efeitos emocionais. Mariane alerta que uma crítica viral pode afetar a autoestima quando passa a ser interpretada como uma definição da própria identidade.
“A pessoa pode começar a acreditar que aquela opinião define quem ela é e passar a se sentir inadequada ou rejeitada.”
Gláucia reforça a importância de separar uma crítica sobre determinado comportamento da percepção sobre a identidade de uma pessoa.
“Existe uma diferença psicológica enorme entre ouvir ‘esse comportamento não funcionou’ e ouvir ‘você não tem carisma’. No segundo caso, a crítica deixa de atingir uma atitude e passa a atingir a identidade.”
Para Ana Carolina, o caminho não é criar uma nova personalidade, mas ajustar a maneira como a verdadeira personalidade é percebida pelo público.
“Em gestão de reputação, não trabalhamos para inventar uma nova pessoa. Trabalhamos para diminuir a distância entre aquilo que ela realmente é e aquilo que o público consegue perceber.”












