
Fábia OliveiraColunas

Maria Cândida expõe ter sofrido abuso psicológico no Domingo Legal
Jornalista relembrou trote traumático durante quadro Telegrama Legal, no qual foi feita refém por atores que simulavam criminosos
atualizado
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Maria Cândida revelou ter passado por uma experiência traumática durante sua participação no quadro Telegrama Legal, apresentado por Gugu no Domingo Legal.
Na época, ela atuava como repórter do SBT Repórter e se tornou alvo de uma brincadeira que a marcou profundamente.
O relato de Maria Cândida
Segundo Maria, a produção a encaminhou para um sobrevoo de helicóptero com o Comandante Hamilton em Barueri, região da Grande São Paulo, para filmar um suposto desmanche ilegal e descrever as cenas que observava. Ela contou:
“No fundo, já estava combinado com a equipe do Gugu esse ‘Telegrama Legal’. Fui com o Comandante Hamilton, que é gente boa para caramba, só que ele é fogo. Ele é bem sensacionalista.”
Enquanto narrava os acontecimentos do solo, a jornalista relatou que percebeu uma movimentação intensa entre atores vestidos de criminosos e pessoas que simulavam policiais.
“Só que o Comandante Hamilton começou a descer o helicóptero. Comecei a entrar em desespero, eles estavam meio que atirando. Foi o caos. Quando ele desceu o helicóptero, eu estava olhando para ele e alguém abriu a porta do helicóptero e me pegou com o revólver na cabeça.”
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“Acho que desfaleci”
De acordo com Maria Cândida, os atores a fizeram deitar no chão, simulando que ela seria trocada por um refém da polícia.
“Não sei descrever o que passou pela minha cabeça naquele momento. Só sei que abaixei e fui rastejando, porque iria ser trocada por outra pessoa. Não me lembro o que aconteceu. Acho que desfaleci e veio um repórter falando que era um Telegrama Legal.”
A jornalista disse que conseguiu retomar o controle emocional rapidamente, mas reconheceu o impacto psicológico da situação.
Apontou abuso psicológico e moral
“Lembro que me deu um negócio estranho, mas imediatamente retomei meu controle. Depois de um tempo, falei: ‘Ah, Gugu, por que você fez isso comigo?’. Deveria ter tido uma reação de xingar, mas fui legal. Foi um abuso psicológico, um abuso moral. Aquilo mexeu com a minha cabeça por muito tempo, mas era uma pessoa do SBT, era o Gugu, então eu me calei.”
Apesar da experiência negativa, Maria Cândida contou que continuou sua trajetória na emissora e chegou a trabalhar com Gugu no Domingo Legal. Ela pediu uma vaga ao apresentador quando o SBT Repórter acabou, recebeu a oportunidade e destacou que aprendeu bastante sobre televisão durante esse período.
Em nota enviada à coluna, a assessoria de Maria Cândida explicou que a fala da apresentadora no podcast Eles que Lutem sobre uma experiência traumática no quadro Telegrama Legal, do Domingo Legal, não caracterizaram qualquer denúncia contra Gugu Liberato (1959-2019) ou ao programa.
Leia a nota na íntegra
“Nota de Esclarecimento
Em relação às notícias publicadas após a participação de Maria Cândida no podcast “Eles que Lutem”, esclarecemos que em nenhum momento houve qualquer denúncia ou acusação contra o apresentador Gugu Liberato ou contra o programa Domingo Legal.
Durante o podcast, Maria Cândida foi questionada sobre sua trajetória na televisão nos anos 2000, quando o apresentador mencionou o episódio conhecido como “o pior Telegrama Legal da história”, exibido pelo programa.
Ela apenas relembrou como se sentiu naquele momento, explicando que foi surpreendida por atores que encenaram um falso sequestro, com um revólver apontado para sua cabeça, sem saber que tudo fazia parte de uma gravação. O relato se referia ao impacto emocional e psicológico dessa experiência específica, e não a qualquer tipo de abuso moral, assédio ou conduta indevida dentro do programa.
Maria Cândida reforça que nunca sofreu qualquer tipo de abuso ou desrespeito no Domingo Legal. Pelo contrário, foi um período de grande aprendizado e conquistas profissionais, em que teve a oportunidade de realizar entrevistas internacionais, consolidar sua carreira e apresentar o Oscar três vezes pelo SBT.
A jornalista faz questão de reafirmar seu carinho, respeito e admiração por Gugu Liberato, reconhecendo-o como um dos maiores comunicadores da televisão brasileira.
Sua fala no podcast teve o propósito de refletir sobre como certos formatos de entretenimento dos anos 1990 e 2000, que hoje seriam considerados inadequados, eram comuns e amplamente naturalizados na época, mas que, com o avanço da consciência coletiva sobre saúde mental e ética, ganharam novas leituras.
Não se tratou de uma denúncia, mas de uma reflexão sobre a evolução da sociedade e da comunicação, especialmente no que diz respeito à sensibilidade, à ética e ao cuidado emocional nas relações humanas e profissionais.”







