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Fábia Oliveira

Letícia Vidica, da Globo, celebra 20 anos de carreira e exalta diversidade

A jornalista Letícia Vidica, da TV Globo, relembrou momentos marcantes e falou da importância da representatividade na televisão

18/10/2026 09:00
Reprodução/Instagram
Letícia Vidica, da Globo, celebra 20 anos de carreira e exalta diversidade

A jornalista, apresentadora e palestrante Letícia Vidica, da TV Globo, está celebrando duas décadas de trabalho voltado à comunicação. Com passagens por diversas emissoras, como RedeTV!, SBT e CNN, a profissional conversou com a coluna, relembrou momentos marcantes e reforçou a importância da diversidade na televisão brasileira.

Trajetória

Letícia passou pelos principais telejornais da emissora, como Hora 1, Jornal Nacional e Jornal da Globo, além de produzir reportagens para outras atrações, como Profissão Repórter e Fantástico. Atualmente, ela participa de produções voltadas ao entretenimento, como Encontro com Patrícia Poeta, É de Casa e Mais Você.

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A paixão pelo jornalismo começou cedo, aos 13 anos. Influenciada pelo pai, se tornou uma leitora voraz, além de encontrar nas palavras sua verdadeira vocação. Na conversa com a coluna Fábia Oliveira, Letícia relembrou algumas das coberturas mais marcantes ao longo desses 20 anos, mas um momento foi mais que especial: seu encontro com a apresentadora Glória Maria.

“Tive a oportunidade de conhecer a Glória Maria pessoalmente. Nunca me esqueço que ela me viu e, de longe, ficou me chamando porque queria falar comigo. Ela pediu para tirar uma foto comigo. Aquilo me marcou”, contou. “Eu lembro que ela me olhava impressionada por ter visto outra jornalista preta ali”, recordou.

A representatividade preta na televisão, aliás, foi outro ponto comentado pela jornalista na conversa. Segundo ela, é importante que as emissoras invistam na diversidade, seja nas redações, seja diante das câmeras. Hoje, quando eu olho para a televisão, vejo várias mulheres e homens pretos… Então isso é o símbolo da representatividade”, celebrou.

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Confira a conversa completa:

Como nasceu sua paixão pelo jornalismo?

Começou ainda na pré-adolescência. Por volta dos 13 anos, eu decidi que eu seria jornalista. Antes eu flertei um pouco com a publicidade, a psicologia, que é uma das minhas paixões, e com a pedagogia, mas o jornalismo foi a minha grande paixão porque eu cresci uma grande leitora, influenciada pelo meu pai, que sempre foi um amante dos livros. Fui me apaixonando por várias histórias, lendo muitos livros, e comecei a escrever as minhas próprias histórias. Por gostar de escrever, eu achei que o jornalismo era a profissão que mais me aproximava dessa minha paixão… e nunca me arrependi dessa decisão.

Como foi seu caminho na profissão até chegar ao local que você ocupa hoje?

O meu caminho foi uma longa jornada. Antes de mim, não havia nenhum jornalista na minha família. Na época, não tinha essa representatividade negra toda que a gente vê na comunicação, né? A comunicação se resumia a TV aberta, aos veículos impressos, rádio… Eu não conhecia ninguém que pudesse me auxiliar e eu fui com a cara e com a coragem.

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A jornalista, apresentadora e palestrante Letícia Vidica
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Foto: Estúdio @lookatme.brasil
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Foto: Estúdio @lookatme.brasil

Eu entrei na faculdade em 2003, eu tinha 19 anos. Já desde os primeiros anos de faculdade, eu já fazia freela de tudo: escrevia para revista de joia, de carro, de bicicleta, de moda, jornal de bairro… Depois que eu consegui um estágio numa assessoria de imprensa… e durante esse processo eu consegui passar no processo seletivo da RedeTV! Foi a minha grande porta de entrada para a comunicação.

Na emissora, eu consegui ser indicada para ir para o SBT, e aí assim eu fui indo. Do SBT também eu consegui indicações para entrar na TV Globo em 2010. Foi onde eu entrei e fiquei até 2019 trabalhando, sempre com jornalismo de redação, hard news, na produção de reportagens. Eu saí da Globo em 2019 para ir para a CNN Brasil quando o canal chegou, para ocupar um cargo de chefia e lá eu fiquei quatro anos.

Quando eu saí da CNN em 2023, eu fiquei um ano fora do mercado trabalhando com eventos corporativos. Foi quando eu recebi um convite de um ex-chefe meu da Globo que estava no entretenimento para ser repórter.

Nesses 20 anos, quais coberturas mais te marcaram?

Eu fiz muita coisa que me marcou. Uma delas foi a vinda do Papa Bento XVI para o Brasil. Eu era recém-formada, estava na RedeTV!, e caiu no meu colo a função de organizar essa cobertura enquanto produtora. Na Globo, me orgulho muito de ter feito parte da equipe do ‘Brasil que Eu Quero’. Eu fui a produtora que gravou o piloto, depois participei da equipe que ficava selecionando os vídeos que iam para o ar. Participei de várias coberturas de debates de eleições também, recebendo os candidatos. Fui por uns 8 anos produtora do Carnaval da Globo no Anhembi, produzindo o Estúdio Globeleza… Eu amava fazer isso. Na CNN me orgulho muito de ter criado o CNN Plural, que foi um grande projeto de diversidade na televisão.

Você também teve uma história curiosa com a Glória Maria. Como foi?

Eu participei do JN 50 anos, estive na festa e tive a oportunidade de conhecer a Glória Maria pessoalmente. Nunca me esqueço que ela me viu e, de longe, ficou me chamando porque queria falar comigo. Ela pediu para tirar uma foto comigo. Aquilo me marcou. Falei: ‘Como assim a Glória Maria quer tirar uma foto comigo?’ Na época eu lembro que ela me olhava impressionada por ter visto outra jornalista preta ali, que talvez ela não conhecia ainda, e queria saber quem era. E eu me apresentei dizendo que eu era produtora e nós tiramos uma foto. Eu tenho essa foto até hoje.

Qual a importância de ser uma jornalista preta em rede nacional na principal emissora do país?

Eu acho essa naturalização [importante], acho que é o caminho que a gente está tomando hoje, de colocar os corpos pretos na televisão, nas artes, nos cinemas, para ocupar papéis que qualquer pessoa, independente da cor de pele, poderia ocupar, isso é muito forte. Porque isso é a verdadeira representatividade, né? Sem precisar estar dentro de uma caixinha como: ‘Porque ela é preta, ela então vai estar ali para falar só das pautas pretas, só para falar de diversidade’. É poder falar de tudo, de todos os assuntos.

Hoje, quando eu olho para a televisão, vejo várias mulheres e homens pretos, que muitos que são amigos, são colegas… Olho para as redações e vejo a diversidade, então isso é o símbolo da representatividade. Então, acho que existe um peso. E estar na maior rede nacional do país ainda eleva esse peso porque a gente está alcançando lugares que a gente nem imagina.

Além do seu trabalho na TV, você mantém o Café com Lê nas redes sociais. Como nasceu essa vontade de falar com os internautas?

A partir do momento que eu comecei a aparecer na televisão, eu resolvi abrir as minhas redes e comecei a postar mais sobre o meu trabalho. Comecei a criar vídeos, criar conteúdo e eu comecei a ver uma interação ali naquele espaço. Vi que eu tinha minha pequena audiência.

Aí eu comecei a criar, assim, não tinha muito roteiro, não tinha muito tema, eu abria a câmera e saía falando de assuntos diversos, aleatórios, sobre vida, sobre pensamentos, enfim. E as pessoas foram gostando. E assim nasceu o Café com Lê, que eu completo este ano três anos, que é um quadro muito poderoso nas minhas redes sociais, que me traz uma troca muito genuína com as pessoas que me seguem.

Então é uma delícia. Este ano, o quadro ganhou uma versão nova, que é o Café com Lê Especial, onde eu comecei a entrevistar pessoas. Estou chamando convidados para vir tomar um café comigo.

Como você enxerga essa proximidade que as redes sociais permitem com o público?

Eu aprendi muito nos últimos anos. São quatro anos de maneira mais fixa engajando e falando com as pessoas nas redes sociais. Não é um número [de seguidores] que me interessa. É a troca verdadeira que eu tenho com essas pessoas, é a cada mensagem que eu recebo de pessoas falando que ‘poxa, eu precisava ouvir isso’, ‘nossa, a sua mensagem me ajudou’, ‘eu estava falando disso com alguém’, ‘nossa, estou passando por isso’. Então, eu devo muito a essas pessoas.

Tem algum projeto pessoal ou profissional que você ainda sonha realizar?

Eu sou uma grande sonhadora, então, sempre vai ter um projeto, sempre vai ter um sonho a realizar. Eu acho que, pensando em sonho profissional, tenho vários. Eu brinco, mas não é uma brincadeira, é uma brincadeira verdadeira que eu quero ser a Oprah brasileira… Além de seguir os passos que Glória Maria deixou, acho que toda jornalista preta e comunicadora está seguindo os passos dela, e quem não sonha um dia ter um passaporte carimbado tanto quanto ela teve, né? Viajar o mundo contando histórias, conhecendo pessoas, é um sonho de carreira.

Além disso, continuar afirmando a minha imagem cada vez mais na televisão, tendo mais espaço, mais visibilidade, podendo tocar na vida das pessoas, sendo uma portadora de boas notícias e de esperança, que eu acho que esse mundo precisa. E outros sonhos que com certeza vão surgir ao longo do caminho.