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Fábia Oliveira

José Junior abre o jogo sobre Frota e 5ª temporada de Arcanjo Renegado

À coluna, o criador da série fala sobre a chegada de Alexandre Frota ao elenco e adianta o que o público pode esperar da temporada

08/11/2026 09:00
Alexandre Loureiro/Globo
Arcanjo Renegado? Os bastidores da cena de perseguição na Sapucaí - Metrópoles

A quinta temporada de Arcanjo Renegado estreia no dia 12 de novembro e promete aprofundar os conflitos apresentados nos episódios anteriores. Em entrevista à coluna Fábia Oliveira, José Júnior, criador da série, adiantou que os novos capítulos terão ainda mais cenas de ação e desdobramentos políticos, mantendo a proposta de aproximar a ficção dos acontecimentos do cotidiano brasileiro.

“A gente subiu bastante a quantidade de ação, o público se identifica muito com a ação, vão ter desdobramentos da trama. A gente vai mostrar cada vez mais a realidade do Rio de Janeiro”, afirmou.

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Segundo ele, parte das situações retratadas foi filmada há cerca de um ano, mas acabou encontrando paralelos com acontecimentos recentes, como as guerras entre facções e as operações policiais em comunidades. O roteirista e produtor também destacou que a trama política da série dialoga com questões das esferas estadual e federal. Para José Júnior, essa proximidade com a realidade é uma das marcas da produção.

“Tá cada vez mais, digamos assim, conectada com a realidade, que é uma marca do Arcanjo Renegado, assim como é uma marca dos projetos da AfroReggae Audiovisual”, declarou.

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Outro destaque da nova temporada é a chegada de Alexandre Frota à dramaturgia. Após cerca de dez anos afastado da televisão como ator, ele interpretará um secretário de Segurança Pública. José Júnior contou que já acompanhava a trajetória do artista há décadas e revelou que a parceria também vai além da série: a produtora prepara um documentário em quatro episódios sobre a vida de Frota. “O Frota é um ser único”, resumiu.

José Junior abre o jogo sobre Frota e 5ª temporada de Arcanjo Renegado - destaque galeria
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José Júnior, criador da série Arcanjo Renegado, durante o evento de lançamento
José Junior revela detalhes do velório da mãe: "Grande tristeza"
José Junior é fundado do AfroReggae
José Junior grava vídeo para as redes sociais
José Junior chorou ao comentar a morte da mãe
Alexandre Frota
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Alexandre Frota

Reprodução/Redes sociais
José Júnior, criador da série Arcanjo Renegado, durante o evento de lançamento
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José Júnior, criador da série Arcanjo Renegado, durante o evento de lançamento

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José Junior revela detalhes do velório da mãe: "Grande tristeza"
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José Junior revela detalhes do velório da mãe: "Grande tristeza"

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José Junior é fundado do AfroReggae
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José Junior é fundado do AfroReggae

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José Junior grava vídeo para as redes sociais
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José Junior grava vídeo para as redes sociais

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José Junior chorou ao comentar a morte da mãe
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José Junior chorou ao comentar a morte da mãe

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José Junior posa sério e de camiseta preta para o Instagram
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José Junior posa sério e de camiseta preta para o Instagram

Instagram/Reprodução

O criador de Arcanjo Renegado elogiou a dedicação do ator à preparação para o papel e disse estar satisfeito com a escolha. “Ele já está fazendo um trabalho incrível de pesquisa, ele me manda bastante as pesquisas que ele está fazendo, bastante para o personagem. Então, ele é um cara muito estudioso, muito dedicado”, contou.

Na conversa, José Júnior também falou sobre os capítulos mais controversos da trajetória de Frota, os sonhos que ainda tem para o país e os planos de expansão da AfroReggae Audiovisual, incluindo a produção de filmes e até de um jogo eletrônico inspirado em seus projetos.

Leia a entrevista completa com José Junior:

O que o público pode esperar da nova temporada de Arcanjo Renegado?
A quinta temporada de Arcanjo vem dando prosseguimento à quarta, porque a quarta e a quinta são duas temporadas interligadas. A gente subiu bastante a quantidade de ação, o público se identifica muito com a ação, vão ter desdobramentos da trama. A gente vai mostrar cada vez mais a realidade do Rio de Janeiro e muita coisa que a gente filmou há um ano, por uma triste coincidência, tem acontecido bastante nos dias atuais, como essa questão das guerras de facção, da polícia operando em favela. Parte da nossa trama política tem muito a ver com o momento atual, tanto na esfera estadual quanto na esfera federal. Tá cada vez mais, digamos assim, conectada com a realidade, que é uma marca do Arcanjo Renegado, assim como é uma marca dos projetos da AfroReggae Audiovisual.

Arcanjo Renegado sempre esteve muito próximo de questões como violência, corrupção, política e segurança pública. Existe algum limite entre retratar a realidade e correr o risco de influenciar debates que estão acontecendo fora da ficção?
Eu não posso falar que tem limite quando você trabalha com verossimilhança, né? A gente trabalha muito com verossimilhança e inspirado muito em questões que a gente vê no nosso dia a dia. O Arcanjo é uma série muito carioca, muito regional, mas com demandas que acontecem no Brasil inteiro. Porque a questão de corrupção, de violência, dos problemas sociais, não só do Rio, como do Brasil inteiro, é uma pauta nacional. Tem um termo antigo utilizado nas décadas passadas que o Rio é a caixa de ressonância, né? Se falava muito isso. E é verdade, o Rio é uma, vamos dizer, agora adaptando aos dias atuais, um grande hub para tudo que é questão, seja positiva, negativa. Então o Rio de Janeiro é esse hub que acaba exportando não só para o Brasil, como para o mundo inteiro.

Alexandre Frota está de volta à dramaturgia depois de cerca de dez anos longe da televisão como ator e vai interpretar um secretário de Segurança Pública. Por que ele foi escolhido para esse papel? E o que te chamou atenção na trajetória dele a ponto de também querer transformá-la em documentário?
O Frota é um ser único, né? A gente está fazendo uma série sobre a vida dele, são quatro episódios. E, antes mesmo de fazer a série, eu já sabia muita coisa do Frota. Eu lembro que ele me impactou a primeira vez nos anos 80, fazendo um personagem chamado Valério – não lembro qual novela. Aí depois ele faz o Luizão, que era um produtor de cinema no Roque Santeiro, e se relaciona com uma mulher bem mais velha, que quem fazia era a Yoná Magalhães. E foi emplacando um sucesso atrás do outro. Aí ele participou de uma peça icônica que eu não assisti, chamada Blue Jeans, fez cinema, foi o primeiro grande personagem de um reality show no Brasil, que foi Casa dos Artistas. Depois virou meio que um consultor de reality shows de outros canais. Passa a fazer filme adulto, uma época também foi produtor de funk. Se envolve na política. E teve os seus altos e baixos, né?

E o AfroReggae é uma marca que trabalha muito com esses altos e baixos. Seja na ONG e na própria produtora, na AfroReggae Audiovisual. E a minha proximidade com ele começou ano passado, quando nós já tínhamos pensado nele para fazer a quinta temporada de Arcanjo Renegado. Acabou não acontecendo, o papel era outro também. Eu tinha convidado ele para fazer parte dos nossos projetos. Eu não penso só no Arcanjo, para ser sincero, eu penso nele fazendo outras séries também. Eu gosto muito dele, da pessoa dele, do artista também que ele é, por mais que ele não atue há bastante tempo. Eu acho que ele vai agregar bastante para nós, assim como nós vamos agregar para ele também.

Esse personagem do secretário de Segurança Pública, eu acho que ele vai fazer muito bem. Ele já está fazendo um trabalho incrível de pesquisa, ele me manda bastante as pesquisas que ele está fazendo para o personagem. Então, ele é um cara muito estudioso, muito dedicado e, curiosamente, todo mundo que sabia que ele ia fazer a série, alguns atores que nem estão na série, outros que estão, todo mundo me parabenizou pela escolha. Todo mundo falava para mim que ele é um cara incrível, que é um cara que tinha que estar com a gente. E eu confesso que tô muito feliz de ter o Frota conosco. Eu gosto muito dele e tenho certeza que o público vai adorar o personagem e vê-lo de volta nas telas.

A trajetória dele passa por televisão, cinema, filmes adultos, dependência química, política e agora o retorno à dramaturgia. Ele se mostrou disposto a falar de todos esses capítulos, inclusive os mais difíceis e controversos?
Ele topou falar tudo, 100%. Inclusive, ele deu vários caminhos pra gente durante a pesquisa. E ele fez uma coisa incrível, que foi passando pra gente, ano a ano, os altos e baixos. Ele tá com a mente muito aberta, superaberto. Eu acho que ele deu uma transmutada.

Existe algum projeto que você ainda considera seu “grande sonho” e que não conseguiu realizar?
Olha, um projeto que seja um sonho eu não tenho. Já tive. Na época que eu liderava a ONG, o meu sonho era não ter mais crianças no narcotráfico. Posso dizer que esse ainda é um sonho: acabar com as guerras de facções nas favelas, essa opressão que o povo preto, pobre, favelado sofre no Brasil com relação à violência e à fome. São sonhos que a gente pode achar o tom, a nossa consciência. Mas, profissionalmente, não tenho um sonho de fazer uma série. Tenho desejos, tem projetos que eu quero fazer, quero contar algumas histórias, mas eu não posso colocar na categoria de sonho, mas sim de vontade. Talvez o meu sonho seja realmente ver os meus netos e tudo o que eu já citei: um mundo melhor, um país melhor. Os meus sonhos são mais nessa linha.

E daqui a dez anos, o que você gostaria de estar contando sobre o AfroReggae, sobre o audiovisual brasileiro e sobre as pessoas que passaram pelos seus projetos?
Eu tenho uma grande dificuldade de falar do futuro. Então, assim, eu espero que daqui a 10 anos a questão mercadológica, audiovisual, seja menos branca. Que a gente possa ter transformado, sabe? Ajudado a transformar o mercado, transformado muitas vidas, porque eu fico muito feliz quando eu recebo mensagens, quando eu sou abordado por pessoas e a pessoa me reconhece e fala o quanto ela se inspira no AfroReggae, se inspira em mim ou o quanto uma série acabou ali influenciando a vida dela. Eu acho que daqui a 10 anos nosso portfólio vai ser muito maior.

Eu tenho muita vontade de começar a fazer mais cinema. Inclusive, o nosso primeiro filme, que chama-se Na Linha de Fogo, vai ser lançado no primeiro semestre do ano que vem. Eu espero também, nesse período talvez de 10 anos, que a gente possa lançar um jogo eletrônico de um dos nossos projetos, tipo Arcanjo Renegado. Tem um projeto no AfroReggae chamado Afro Games, que forma atletas, é a maior transformação de atletas do mundo dentro de uma favela. Então, poder lançar algum jogo, de alguma forma, inspirado em alguns dos nossos projetos, sejam projetos que já existem ou que vão existir no futuro.