
Fábia OliveiraColunas

Filha revela momentos dolorosos nos últimos anos de Manoel Carlos
A atriz Júlia Almeida, filha do autor Manoel Carlos, detalhou os últimos momentos do artista, que morreu no dia 10 de janeiro
atualizado
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A atriz Júlia Almeida, filha do autor Manoel Carlos, fez um longo e revelador desabafo ao relembrar os últimos anos de vida do artista, que morreu no dia 10 de janeiro. A famosa falou sobre como Parkinson mudou a rotina da família e explicou a decisão de manter o criador de novelas de sucesso da TV Globo longe dos holofotes.
“Tudo ao meu alcançe”
Manoel Carlos foi o autor de produções como Felicidade (1991), História de Amor (1995), Por Amor (1997), Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003). Sua última novela na emissora foi Em Família, exibida em 2014. Em depoimento à Veja, Júlia disse como os últimos momentos com o pai foram de afeto, mas também de dor:
“A convivência com meu pai, Manoel Carlos, nos anos em que o Parkinson avançava, foi ao mesmo tempo afetuosa e dolorosa. Preservar a dignidade dele era minha prioridade. Encontrei paz na convicção de que fiz tudo ao meu alcance para confortá‑lo”, disse.
Ainda segundo a atriz, o diagnóstico de Parkinson mudou completamente a rotina da família. “O dia a dia passou a ser tomado por consultas, exames, ajustes práticos e gente entrando e saindo da casa dele para ajudar. Minha mãe, Bety, foi presença permanente, dando o suporte emocional que nos sustentava”, contou.
Privacidade
Ainda em seu relato, Júlia Almeida explicou a razão em manter o pai afastado da mídia, sem falar abertamente sobre seu estado de saúde. “Fiz uma profunda reflexão sobre quão essencial era deixá-lo longe dos holofotes. Embora fosse figura pública, meu pai tinha direito à privacidade”, sacramentou.
“Muita gente questionou seu recolhimento, mas fui firme: ter escrito tantas novelas ao longo de mais de cinco décadas não autorizava ninguém a participar daquele momento ou convertê-lo em espetáculo. Respeitar seu espaço foi uma forma de amor”, reforçou a atriz.
Júlia também recordou um dos últimos momentos ao lado do pai: “No último Natal, organizei uma celebração em família. Conversei com ele, beijei sua testa e falei: ‘Pode descansar’ (…) Nosso último diálogo foi uma troca de olhares. Ele partiu aos 92 anos, em 10 de janeiro, segurando minha mão no hospital. Foi em paz, sereno, ainda que tudo tenha sido doído.”
Ao encerrar, a filha do autor afirmou que o trabalho de cuidar do pai, apesar de tudo, foi solitário: “Apesar das renúncias, cuidei dele mantendo um círculo restrito de amigos que me acolheu e me ajudou a não perder o equilíbrio. Esses anos me amadureceram (…) No começo, me senti solitária. Houve quem dissesse: ‘Conte comigo’ — mas os gestos práticos eram mais raros”, disse.













