
Fábia OliveiraColunas

Entenda o que pode causar a baixa libido citada por Zé Felipe
Especialistas apontam estresse, sono irregular e hábitos como causas da baixa libido relatada pelo cantor
atualizado
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Na última semana, o cantor Zé Felipe publicou em suas redes sociais “alternativas” um vídeo contado um pouco sobre problemas que ele estaria tendo com a sua libido.
Na publicação, ele conta que estava com testosterona baixa, o que causava um certo quadro de impotência.
Na publicação, ele conta que, ao fazer exames, foi acusada altas doses de cortisol devido ao sono errado. “A testosterona baixou e o cara nem tchum. O bicho fica sem reação, fica todo inofensivo. Acho que esse trem meu estava falhado desde os meus 20 anos. Porque eu tava vendo que eu estava meio… ‘ah, deixa pra lá’. Eu nunca fui assim, sempre fui bocudo”, contou Zé.
O cantor, que tem 27 anos, levantou um debate a respeito da perda de ereção e libido com pessoas de baixa idade. Especialistas ouvidos pela coluna contaram se isso é normal, e caso não, o que pode causar.
O que dizem os especialistas
Segundo o Dr. Rodrigo Trivilato, médico urologista titular da Sociedade Brasileira de Urologia, na maioria das vezes, nessa faixa etária, em pacientes mais jovens, a baixa testosterona é funcional e reversível. Ele conta que as principais causas são a estresse, que deixa o cortisol alto (caso que aconteceu com Zé), privação do sono, seja por má qualidade ou pouca quantidade de sono, sobrepeso e obesidade, sedentarismo e uso de álcool em excesso.
“Também é importante alertar sobre pacientes que fazem uso de anabolizantes, principalmente sem necessidade e sem acompanhamento médico. Esse uso pode levar a um efeito rebote, fazendo com que o paciente apresente queda da testosterona após a interrupção. Além disso, algumas medicações, como antidepressivos e opioides, deficiências nutricionais, especialmente de zinco e vitamina D, e algumas doenças hormonais, como o hipogonadismo e o aumento da prolactina, também podem levar à queda da testosterona”, explica o médico.
Já o urologista Elizeu Neto conta que situações como a passada com Zé Felipe podem também ser crônicas. “A disfunção erétil ou a redução da libido associadas à baixa testosterona podem ter caráter temporário ou persistente, dependendo da causa. Os casos persistentes podem estar associados ao hipogonadismo, doenças metabólicas, obesidade, uso contínuo de certos medicamentos ou alterações testiculares. No caso citado, o relato de níveis hormonais baixos desde a juventude pode indicar uma condição crônica”, alerta.
Como aumentar a testosterona
Mas, para aumentar a testosterona tem jeito! Rodrigo conta que para isto, deve-se aplicar três pilares: Manter um peso adequado (evitar a obesidade), dormir bem, ou seja, com boa qualidade de sono e praticar atividade física. “Na maioria dos casos nessa faixa etária, o mais comum é que seja uma condição temporária e, apenas com mudanças no estilo de vida, o paciente volte a apresentar níveis normais de testosterona”, pontua.
Para se descobrir a causa, Rodrigo orienta que deve-se primeiro procurar um profissional que entenda do assunto, que tenha uma expertise no assunto.
“Esse profissional provavelmente vai solicitar uma série de exames para estudar esse eixo que fabrica o hormônio da testosterona, ele vai identificar a causa, vai tratar de modo correto, isso não significa que é necessário o uso da testosterona, vai evitar esses tratamentos necessários, porque o uso da testosterona é um excelente medicamento, mas ele tem alguns efeitos colaterais que pode prejudicar principalmente o homem jovem”, alerta o urologista.
Chips de testosterona
Na publicação, Zé Felipe conta que está fazendo tratamento com um médico especializado, e que passou a usar um ‘chip de testosterona’. “Meti um chip de testosterona e eu tô é pronto. Bom, viu. Fora a energia, gás, vontade de viver, vontade de proteger quem você ama, de sair correndo no meio da rua gritando. Isso porque regulou. Imagina se esse trem passar um pouquinho eu viro o Batman”, comentou.
Dr. Elizeu explica o que são estes chips inseridos na pele. “Os implantes hormonais são dispositivos inseridos sob a pele que liberam hormônios de forma gradual na corrente sanguínea, geralmente com ação androgênica. Eles são aplicados em regiões como glúteo ou abdômen e promovem uma liberação contínua por meses, o que reduz a necessidade de aplicações frequentes ou uso diário de medicamentos”, explica.
Deixou alerta
Porém o urologista alerta: “Alguns pacientes relatam melhora na libido e nos níveis de energia após algumas semanas, mas os resultados não são imediatos nem garantidos. A resposta pode variar bastante entre os indivíduos, e há casos em que não se observa benefício significativo”.
Dr. Rodrigo conta que há uma melhora da função erétil e da composição corporal, com aumento de força, ganho de massa muscular e redução de gordura corporal, mas orienta: “Nem nem todo paciente precisa de implante hormonal, especialmente homens jovens. Muitas vezes, o mais indicado é tratar a causa da baixa testosterona, e não apenas fazer a reposição”.
Ainda de acordo com Rodrigo, existem outros tratamentos além do chip, principalmente com mudanças no estilo de vida.
“Sono adequado, redução do estresse, perda de gordura corporal, emagrecimento, treino de força e ajuste na alimentação. Tudo isso pode aumentar a testosterona sem necessidade de medicação. Quando o paciente é jovem e apresenta baixa testosterona, é fundamental avaliar bem qual é a causa. Existem alguns medicamentos que não são testosterona e que podem ajudar a tratar essas causas. Por exemplo, o clomifeno, o anastrozol, a terapia de reposição de testosterona pode ser feita por diferentes formas: gel transdérmico, injeções (de curta, média ou longa duração) e também por implantes hormonais, entre outros”, conclui.
O acompanhamento com especialista é fundamental porque o diagnóstico não se baseia apenas nos sintomas, mas também em exames laboratoriais e avaliação clínica detalhada. Além disso, nem toda queda de libido está relacionada à testosterona. Um tratamento inadequado pode trazer impactos negativos na fertilidade, no equilíbrio hormonal e até no risco cardiovascular.







