
Fábia OliveiraColunas

Desabafo de Wanessa Camargo reforça alerta sobre riscos da bulimia
A cantora Wanessa Camargo chamou a atenção ao fazer relato sobre problemas de saúde, como bulimia, síndrome do pânico e alcoolismo
atualizado
Compartilhar notícia

A cantora Wanessa Camargo abriu o coração em entrevista recente e falou sobre os problemas de saúde que enfrentou no passado. Entre eles, a famosa afirmou que chegou a enfrentar doenças como bulimia, síndrome do pânico e alcoolismo. O relato da filha de Zezé di Camargo acendeu um alerta sobre os riscos de males às vezes silenciosos.
Riscos à saúde
Nesta terça-feira (2/5), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares. A data é importante na conscientização da bulimia, condição que, muitas vezes, permanece invisível aos olhos de familiares, amigos e até dos próprios pacientes.
A cantora revelou ter enfrentado episódios de compulsão alimentar seguidos de vômitos provocados, descrevendo um ciclo silencioso de sofrimento psicológico e relação conturbada com a comida.
Para especialistas, males como bulimia, anorexia nervosa, compulsão alimentar periódica e outros transtornos relacionados ao comportamento alimentar podem afetar pessoas de diferentes idades, corpos e perfis. Ao contrário do imaginário popular, especialistas reforçam que nem sempre esses quadros são perceptíveis fisicamente.
“Os transtornos alimentares muitas vezes começam de maneira sutil e podem ser confundidos com preocupação excessiva com dieta, alimentação ‘saudável’ ou estética. Mudanças importantes na relação com a comida, culpa intensa após comer, compulsão, isolamento nas refeições, obsessão pelo peso e sofrimento emocional são sinais de atenção”, explicou a psicóloga Letícia de Oliveira.
A bulimia nervosa, transtorno citado por Wanessa, geralmente envolve episódios de ingestão alimentar em excesso acompanhados de comportamentos compensatórios, como vômitos induzidos, jejuns prolongados, uso inadequado de laxantes ou atividade física excessiva.
Para a endocrinologista Patrícia Gracitelli, especialista em medicina do estilo de vida, reduzir o problema a uma questão de vaidade ou autocontrole é um erro frequente. “Transtorno alimentar não é falta de disciplina nem uma escolha”, sacramentou.
“Existe sofrimento psíquico importante, além de repercussões metabólicas, hormonais e nutricionais que podem comprometer seriamente a saúde. O diagnóstico precoce faz diferença na recuperação”, ressaltou.
Origem
Já a endocrinologista Maria Letícia Murba, especialista em Endocrinologia e Metabologia com foco em saúde hormonal feminina, alertou que muitos pacientes conseguem esconder sintomas durante anos.
“Nem sempre há perda de peso evidente ou alterações físicas claras. Em alguns casos, o corpo manifesta sinais como fadiga, alterações menstruais, ansiedade, alterações digestivas, fraqueza e instabilidade emocional. Por isso, olhar atento e acolhimento são fundamentais”, explicou.
Especialistas destacam ainda que os transtornos alimentares não surgem por uma única causa. O psiquiatra Ciro Jorge do Nascimento apontou que se trata de um quadro multifatorial, influenciado por fatores emocionais, familiares, sociais e experiências traumáticas.
“É comum acontecer com crianças que vivem ambientes de bullying, na escola ou no ambiente familiar. Crianças que crescem em famílias com padrões estéticos muito rígidos ou com uma relação ruim com a comida e obesidade também podem estar mais vulneráveis. Outro ponto importantíssimo são abusos psicológicos, físicos ou sexuais, que podem gerar prejuízos emocionais profundos e desencadear transtornos alimentares”, disse.













