
Fábia OliveiraColunas

Crise de Marciele no BBB26 reacende debate sobre saúde mental
Episódio expõe os limites emocionais do confinamento e lembra que famosos também enfrentam transtornos de ansiedade; especialista analisa
atualizado
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A madrugada de quinta-feira (5/3) no BBB 26 foi marcada por um momento de preocupação dentro da casa. Durante a Festa do Líder, Marciele Albuquerque passou mal e precisou ser atendida no confessionário.
Nas redes sociais, a equipe da sister informou que ela enfrentou uma forte crise de ansiedade, atribuída ao acúmulo de pressão emocional do confinamento. Situações como essa não são incomuns em reality shows. O ambiente de vigilância constante, a falta de privacidade e o julgamento público permanente podem intensificar emoções e desencadear episódios de ansiedade.
Para a terapeuta Gláucia Santana, o que o público viu ao vivo é um retrato do limite emocional que muitas pessoas enfrentam quando estão sob pressão constante. Segundo ela, episódios como o de Marciele não devem ser interpretados como sinal de fragilidade.
“Do ponto de vista psicanalítico, o que se viu ali não é fraqueza, é saturação. O reality show funciona como um laboratório emocional muito intenso, com hipervigilância, imprevisibilidade, julgamento permanente e pouco descanso. Em pessoas que costumam sustentar o controle como parte da própria identidade, basta um gatilho para que o psiquismo perca o equilíbrio e o corpo passe a falar”, explicou.
A especialista também chama atenção para um aspecto social que aparece com frequência em histórias como essa. Muitas mulheres são vistas como o ponto de apoio emocional de todos ao redor.
“Existe um roteiro muito comum na vida de muitas mulheres. Elas se tornam a base da família, o apoio de todo mundo, quem segura as pontas. Quando essa coluna treme, o mundo estranha. A cultura aplaude a mulher forte, mas muitas vezes não tolera a mulher humana. Ela pode sustentar todos, só não pode falhar”, afirmou Gláucia.
Além da abordagem terapêutica tradicional, outras ferramentas também podem ajudar no controle da ansiedade. A hipnoterapia, por exemplo, tem sido utilizada como técnica complementar para auxiliar pessoas que enfrentam crises recorrentes.
De acordo com o especialista em hipnoterapia Felipe Gonzalez, a hipnose pode ajudar o paciente a acessar padrões emocionais que muitas vezes estão no nível inconsciente.
“Durante uma crise de ansiedade, o corpo entra em estado de alerta máximo, como se estivesse diante de um perigo real. A hipnoterapia ajuda a reprogramar essas respostas automáticas do cérebro, permitindo que a pessoa desenvolva novas formas de reagir aos gatilhos emocionais. Com técnicas de relaxamento profundo e sugestão terapêutica, é possível reduzir a intensidade das crises e fortalecer a sensação de controle sobre as próprias emoções”, explicou.
A ansiedade, no entanto, não é um problema restrito a anônimos ou participantes de reality shows. Diversas celebridades já falaram abertamente sobre o tema nos últimos anos, ajudando a ampliar o debate sobre saúde mental.
A modelo Gisele Bündchen já revelou que enfrentou crises intensas de ansiedade no início da carreira. A cantora Lady Gaga também relatou episódios de ansiedade e pânico ao longo da vida. No Brasil, artistas como Anitta e Whindersson Nunes já falaram publicamente sobre momentos difíceis relacionados à saúde mental.
Para Gláucia Santana, o episódio vivido por Marciele também reflete um traço da sociedade atual, marcada por cobrança constante e pela exposição permanente.
“No fundo, essa crise não é apenas dela. É um recorte do nosso tempo. Vivemos em uma cultura que normaliza a sobrecarga, romantiza a performance e transforma vulnerabilidade em espetáculo. O que aconteceu ali expõe uma verdade simples: quando alguém passa a vida sendo o chão para todos, raramente alguém pergunta se essa pessoa também tem onde descansar”, concluiu.









