
Fábia OliveiraColunas

Caso Virginia acende debate sobre impactos na saúde pós-Carnaval
A combinação entre exaustão física e retomada acelerada de compromissos é um fator de risco pouco percebido; especialistas analisam
atualizado
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Virginia Fonseca precisou de atendimento médico em Madri, na Espanha, após passar mal durante compromissos na capital espanhola. A própria empresária relatou nas redes sociais que não vinha se sentindo bem nos últimos dias, em meio a uma agenda intensa de viagens, eventos e gravações.
O episódio ocorre justamente no período em que muitos brasileiros enfrentam os efeitos do pós-Carnaval. Depois de semanas marcadas por festas, alteração de sono, consumo de álcool e alimentação irregular, o retorno imediato à rotina profissional costuma cobrar um preço do organismo.
A combinação entre exaustão física e retomada acelerada de compromissos é um fator de risco pouco percebido. No caso de figuras públicas, o desgaste pode ser ainda maior, já que a exposição constante e as viagens internacionais ampliam o impacto da falta de descanso.
Coração sente primeiro
O sistema cardiovascular é um dos mais afetados pela sobrecarga. Privação de sono, desidratação e estresse elevam a frequência cardíaca e podem provocar sintomas que não devem ser ignorados.
“A prevenção hoje é fundamental. Sintomas como palpitação, falta de ar e cansaço excessivo após o Carnaval não devem ser ignorados”, alertou o cardiologista Rodrigo Souza.
Segundo ele, é comum que pacientes associem o mal-estar apenas ao cansaço acumulado, quando na verdade o corpo já demonstra sinais claros de sobrecarga. Em pessoas com fatores de risco, como histórico familiar ou hipertensão, o cuidado precisa ser redobrado.
Imunidade em queda
Além do impacto no coração, a imunidade tende a sofrer após períodos de excesso. A soma de noites mal dormidas, álcool e desidratação compromete as defesas naturais e explica por que tantas pessoas relatam quadros virais logo após o Carnaval.
“Imunidade não é apenas não adoecer. Quando ela está baixa, a pessoa se sente mais cansada, indisposta e vulnerável ao estresse. O Carnaval desorganiza o organismo como um todo, e a recuperação exige hidratação, descanso e rotina”, explicou o farmacêutico-bioquímico Douglas Andrés Valverde, especialista em análises clínicas e toxicologia clínica.
Confusão entre resfriado, rinite e sinusite
No pós-folia, sintomas respiratórios também costumam aparecer. Nariz entupido, coriza e dor facial geram dúvidas e, muitas vezes, levam ao uso inadequado de medicamentos. A otorrinolaringologista Renata Mori explica que o resfriado comum é viral e autolimitado.
“Ele costuma melhorar espontaneamente em cinco a sete dias, apenas com hidratação e repouso”, afirmou.
Já a rinossinusite pode surgir quando o quadro viral não evolui bem. “Após cerca de dez dias sem melhora, ou quando há piora súbita dos sintomas, passamos a suspeitar de uma rinossinusite bacteriana”, esclareceu.
Ela faz um alerta importante: “Secreção amarela não é sinônimo de infecção bacteriana e muito menos indicação automática de antibiótico”.
No caso da rinite alérgica, os sintomas são persistentes e não vêm acompanhados de febre. “Não há febre na rinite alérgica, e os sintomas podem se repetir ao longo do ano, dependendo da exposição aos fatores desencadeantes”, acrescentou.
Vírus em circulação aumentam risco
Março também coincide com a volta às aulas e maior circulação de pessoas em ambientes fechados, o que amplia a transmissão de vírus respiratórios.
“Quando as aulas retornam, há um aumento expressivo da circulação de vírus respiratórios. As crianças funcionam como importantes vetores de transmissão”, explicou a alergista e imunologista Dra. Brianna Nicoletti.
Ela destaca que o organismo já fragilizado fica mais suscetível. “O excesso de festas, consumo de álcool, alterações no sono e alimentação desregulada impactam diretamente o sistema imunológico. O organismo fica mais vulnerável justamente no momento em que há maior exposição a vírus”, disse.







