
Fábia OliveiraColunas

Caso Kelly Key levanta debate sobre segurança e saúde mental
De acordo com informações divulgadas pela cantora, o vizinho, que seria médico, teria apresentado comportamentos agressivos e imprevisíveis
atualizado
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A cantora Kelly Key usou as redes sociais para denunciar uma série de ataques e ameaças que, segundo ela, estariam sendo cometidos por um vizinho contra a sua família no Rio de Janeiro. A situação levou a cantora a tornar o caso público, em uma tentativa de chamar atenção para o problema e pedir providências das autoridades.
De acordo com informações divulgadas pela cantora, o vizinho, que seria médico, teria apresentado comportamentos agressivos e imprevisíveis nos últimos tempos. Em um dos relatos, ele teria avançado contra o pai da artista segurando uma barra de ferro, o que aumentou ainda mais o temor da família em relação à segurança.
Advogado analisa o caso
Para o advogado criminalista Marcos Sá, a postura da cantora indica preocupação legítima diante da gravidade do cenário.
“A postura de Kelly Key e de seu marido demonstra que eles compreenderam a gravidade da situação que estão enfrentando. O que se percebe, na verdade, é muito mais um pedido de ajuda e um alerta, motivados pelo medo de que algo mais grave venha a acontecer diante de atitudes que, em tese, podem ter natureza criminosa por parte do vizinho”, afirmou à coluna Fábia Oliveira.
Segundo o especialista, os relatos indicam comportamentos que podem se enquadrar em crimes previstos na legislação brasileira.
“Pelos relatos feitos por Kelly Key e por seu marido, trata-se de uma pessoa que aparentemente sofre de transtornos mentais e que teria praticado condutas que, em tese, poderiam se enquadrar como crimes, como invasão de domicílio e ameaça, especialmente diante da informação de que teria empunhado uma barra de ferro e investido contra o pai da cantora”, explicou.
No entanto, o advogado ressalta que o direito penal brasileiro leva em consideração a condição mental do indivíduo no momento da conduta.
“A responsabilização criminal depende da chamada imputabilidade, isto é, da capacidade da pessoa de compreender que sua conduta é ilícita e de agir de acordo com esse entendimento. Quando alguém sofre de um transtorno mental grave que retira essa capacidade, a lei pode considerá-lo inimputável”, disse.
Nessas situações, a resposta da Justiça costuma ser diferente da aplicação de uma pena convencional. “Mesmo que a pessoa pratique um fato previsto como crime, ela normalmente não é submetida a uma pena comum de prisão”, falou.
E seguiu: “Em vez disso, o juiz pode determinar a aplicação de uma medida de segurança, que consiste em tratamento médico adequado, como a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou acompanhamento ambulatorial, até que seja constatado por avaliação médica que a pessoa já não representa risco”, afirmou Marcos Sá.
Além da responsabilização penal, o ordenamento jurídico também prevê mecanismos preventivos para evitar situações mais graves.
“Quando há indícios de incapacidade mental e risco para terceiros, pode ser proposta uma ação de interdição, inclusive pelo Ministério Público, especialmente quando não há familiares que possam assumir essa responsabilidade. Essa medida permite que seja nomeado um curador e que se busque o tratamento adequado para a pessoa, justamente para evitar situações de risco ou possíveis tragédias”, explicou.
Para o especialista, a manifestação pública da cantora deve ser interpretada dentro desse contexto: “A manifestação pública de Kelly Key não deve ser vista como um ataque pessoal, mas como um alerta e um pedido de providências diante de uma situação que, ao que tudo indica, envolve tanto questões de segurança quanto de saúde mental, exigindo uma atuação responsável do Estado”, concluiu.









