Fábia Oliveira

Caso Deolane: defesa se pronuncia com dossiê e expõe novos detalhes

Após a prisão da influenciadora, a defesa divulgou, por meio da assessoria, um material oficial com detalhes do caso

atualizado

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Deolane Bezerra - Metrópoles
1 de 1 Deolane Bezerra - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

Após a prisão de Deolane Bezerra na última quinta-feira (21/5), a defesa da influenciadora digital divulgou, por meio de sua assessoria, um material oficial com detalhes do caso. A manifestação se dedica a esclarecer alguns dos pontos mais controversos envolvendo a influenciadora digital.

Os documentos

Logo de início e com o objetivo de corrigir erros conceituais, o material explica que Deolane Bezerra não foi formalmente acusada ou denunciada pelo Ministério Público. Na prática, ela ainda figura como investigada. O material também nega que a advogada tenha recebido dinheiro de uma transportadora ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Um relatório do Laboratório de Tecnologia contra a Lavagem de Dinheiro, o LAB-LD, teria indicado que a transportadora enviou dinheiro a um cliente de Bezerra, mas não a ela diretamente. Não haveria prova, de igual modo, de que essa quantia foi repassada à famosa.

A defesa expõe que o único fato atribuído a Deolane é o recebimento de R$ 24,5 mil. Ela explica que os comprovantes de depósito da referida quantia não indicam o nome do depositante ou sua origem. Dessa forma, o depósito não seria apto a provar a prática de lavagem de dinheiro.

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Deolane Bezerra
Presídio precisa seguir exigência padrão para receber Deolane Bezerra
Advogados se manifestaram sobre a prisao de Deolane Bezerra
Deolane Bezerra é suspeita de lavar dinheiro para o PCC
Polícia cita transferências bancárias entre Deolane e cunhada de Marcola
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Vale lembrar que, em sua audiência de custódia, a loira fez referência ao montante e afirmou que o depósito foi feito em sua conta por um de seus clientes. Deolane Bezerra é advogada e sempre falou publicamente sobre sua atuação na área criminal. O material, nesse contexto, afirma não existirem provas de que a famosa soubesse da suposta fonte ilícita do montante. Ele afirma ser frágil a construção do inquérito que, por meio desse valor, busca ligar a influenciadora à transportadora e, por consequência, ao PCC.

Ligação com Marcola

A defesa diz não haver provas no inquérito de que Deolane Bezerra tenha advogado para Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, nem para a organização criminosa. E observa, nesse contexto, que isso não se confunde com o ato de advogar para membro que a integre. Não existiriam, além disso, comprovantes de transações com integrantes da facção.

O material afirma que Deolane atuou como advogada de Éverton de Souza, o “Player”. Ele sublinha o fato de a relação entre advogado e cliente ser protegida pelo sigilo profissional. Diz, contudo, que o inquérito não afirma que Éverton seja integrante do PCC. O material afirma que Player aparece nos autos como um pessoa que mantinha relação financeira com Ciro Lemos, o dono da transportadora Lopes Lemos.

Segundo dados do relatório do LAB-LD, a transportadora enviou R$ 28,7 mil a Éverton. Não haveria, contudo, qualquer prova de que o valor teria sido repassado à influenciadora.

Em outro momento, o material afirma que aproximadamente 88% dos créditos feitos na conta pessoal de Deolane vêm de empresas dela própria. Os repasses teriam por origem empresas de meios de pagamento ligadas ao mercado das bets, comumente associados à famosa enquanto agente publicitária.

A defesa explica que o recebimento de honorários advocatícios em espécie é autorizado pelo Estatuto de Defesa da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, e que se trata de prática comum, em especial na advocacia criminal. O material nega, também, a informação de que Deolane Bezerra tenha aberto mais de 30 CNPJs. Ele afirma que o dado foi distorcido e que existiram, no máximo, seis ou sete empresas legítimas da famosa.

Indo além, a defesa afirma que a prisão preventiva da cliente é desproporcional. Isso porque não haveria contemporaneidade entre os fatos e o tempo da prisão, uma vez que Deolane foi presa por um ocorrido de 2020, ou seja, antigo. Sem fatos novos que justificassem a prisão, a influenciadora estaria cumprindo uma pena antecipada, fato que, lembra sua defesa, é proibido.

O material garante que o inquérito carece de provas robustas contra a influenciadora e destaca que ela não foi ouvida ou intimada a prestar esclarecimentos pela polícia.

A prisão de Deolane Bezerra

Deolane Bezerra foi presa na manhã de quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Entre os alvos, estão Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção, o irmão dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.

Também foi preso Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pela polícia como operador financeiro do grupo criminoso. De acordo com a apuração, ele aparecia em mensagens interceptadas orientando a distribuição de valores e indicando contas utilizadas nas movimentações investigadas.

Os investigadores afirmam que Deolane recebeu depósitos considerados suspeitos entre 2018 e 2021. A análise financeira identificou dezenas de transferências fracionadas destinadas às contas da influenciadora, incluindo repasses que, somados, chegaram perto de R$ 700 mil. Parte do dinheiro teria sido enviada por um homem da Bahia que recebe salário mínimo e é suspeito de atuar como “laranja” no esquema.

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