
Fábia OliveiraColunas

Briga familiar acaba com grupo Golden Boys; entenda
Os Golden Boys, sucesso nas décadas de 1960 e 1970, estão enfrentando uma turbulência familiar que virou caso de Justiça
atualizado
Compartilhar notícia

Um dos grupos da era da Jovem Guarda parece ter chegado ao fim. Os Golden Boys, sucesso nas décadas de 1960 e 1970, estão enfrentando uma turbulência familiar que virou caso de Justiça. O motivo? Um embate entre o fundador Ronaldo Corrêa e o produtor Bruno Galvão, que também é seu sobrinho.
O que aconteceu?
O grupo foi criado pelos irmãos Ronaldo, Renato e Roberto Corrêa, junto com o amigo Waldir da Anunciação. Após o falecimento de Roberto e Waldir, o grupo ganhou nova formação em 2017, com a entrada de Mario Corrêa, outro irmão dos fundadores. Foi nessa fase que Bruno, sobrinho de Ronaldo, passou a atuar como produtor e músico da banda.
No entanto, o que parecia uma parceria promissora se transformou em dor de cabeça. Segundo boletim de ocorrência obtido pelo colunista Marcos Bulques, Ronaldo alega ser o proprietário da marca Golden Boys e afirma que Bruno teria alterado salários e feito movimentações financeiras sem consentimento, e sem apresentar comprovantes.
Com o desgaste da relação, Ronaldo decidiu encerrar a parceria com o sobrinho. O rompimento, porém, se agravou quando Bruno se recusou a devolver o acesso às redes sociais do grupo, que somam mais de 68 mil seguidores.
“Aos 82 anos de idade eu tenho que processar meu próprio sobrinho […] ao sair (do trabalho como músico e produtor) ele pegou para ele as redes sociais dos Golden Boys, por isso que estou processando. Agora ele está usando a minha marca na propaganda do show dele sem o meu consentimento. Meu advogado mandou uma notificação, mesmo assim ele não quis tirar a minha marca da propaganda dele. Muito triste tudo isso”, disse Ronaldo ao colunista.
Família contra
Ronaldo afirma que parte da família ficou contra ele após a decisão judicial. “Meus irmãos acham que estou errado por acionar a Justiça contra um parente. Mas o que posso fazer se ele não quer devolver minhas coisas?”, questionou.
O cantor também contou que Bruno seguiu promovendo shows com os irmãos Mario e Renato sob o nome Os Corrêas, mas ainda usando o peso do nome Golden Boys na divulgação. Em uma publicação de maio, por exemplo, aparece o anúncio: “Os Corrêas cantam Golden Boys”, o que deixou Ronaldo indignado.
“Por causa de tudo isso, o grupo chegou ao fim. Lamentável. Podem me fazer mal, mas ninguém vai tirar de mim a minha vida e nem a minha carreira”, concluiu.
O que diz Bruno Galvão
A defesa de Bruno Galvão se manifestou sobre a situação através de nota. Segundo o texto, Bruno jamais foi demitido.
“Partiu dele a decisão de não mais seguir prestando seus serviços aos Golden Boys, sem que Ronaldo Correa tenha sequer quitado suas obrigações trabalhistas”, dizia a nota.
Leia a nota completa:
“A defesa de Bruno Galvão, na pessoa de sua advogada, Dra.Deborah Sztajnberg, informa que Ronaldo Correa já foi notificado extrajudicialmente, inclusive para fins de indenização por perdas e danos materiais e morais.
Bruno Galvão jamais foi demitido, muito pelo contrário. Partiu dele a decisão de não mais seguir prestando seus serviços aos Golden Boys, sem que Ronaldo Correa tenha sequer quitado suas obrigações trabalhistas.
Com relação ao perfil do Instagram, ele foi criado e alimentado por Bruno Galvão desde 2011 sem qualquer ingerência de Ronaldo. Até investimentos de tráfego pago e produção de conteúdo foram todos feitos e custeados apenas por Bruno Galvão. Além disso, o referido perfil, criado e mantido por Bruno, sequer se utiliza mais do nome Golden Boys.
Sobre as supostas movimentações financeiras indevidas, a acusação não procede. Todas as prestações de contas referentes a cada show eram devidamente enviadas no canal de comunicação entre o Bruno e os 3 integrantes do grupo. As mesmas podem ser comprovadas, assim como as respectivas transferências bancárias.
O que Ronaldo cita sobre reajuste indevido de salário, é mais uma inverdade. Os músicos nunca receberam salário e sim cachê por show. O aumento citado ocorreu em virtude dos valores estarem defasados por anos e por solicitação dos músicos, Bruno intermediou a solicitação de aumento, que teve consentimento dos integrantes na época. Inclusive, nas prestações de contas que eram enviadas, os valores estavam sempre descritos e nunca houve nenhum questionamento. O fato da propriedade da marca estar em nome do Ronaldo Correa, não significa que ele seja “dono do grupo”. As decisões sempre foram tomadas de forma democrática entre os membros. Qualquer tipo de irregularidade (conforme acusações proferidas), os demais integrantes se pronunciariam. O que não foi o caso, pois as denúncias partem unicamente do Ronaldo.
Sobre o uso indevido da marca para promoção da banda que Bruno integra com seus primos (outros sobrinhos do Ronaldo), o fato em questão não se aplica. O referido show era um “Tributo”, onde seria cantada a OBRA dos Golden Boys, claramente explicado na arte de divulgação e na legenda do post em questão, inclusive, com participação dos dois ex-integrantes.
Aliás, vale ressaltar que recentemente os 2 integrantes remanescentes dos Golden Boys, bem como a banda que os acompanha (formada por filhos e sobrinhos) também se desvincularam de Ronaldo Correa, por vontade própria”.