Ativista desabafa após condenação e retratação de Rafael Ilha: "Feliz"
Liana Morisco conversou com a coluna e desabafou sobre os desfechos da Justiça: "Liberdade de expressão não é liberdade para ataques"

A ativista Liana Morisco conversou com a coluna Fábia Oliveira e falou sobre a retratação pública feita por Rafael Ilha, na última quinta-feira (1º/8). O ex-Polegar, que teceu comentários ofensivos contra ela em um post do Facebook em 2 de fevereiro de 2020, foi condenado a indenizar a moça em R$ 5 mil, além de se desculpar na internet pelos xingamentos.
Na ocasião, Ilha insinuou que ela seria usuária de drogas e praticante de sadomasoquismo, além de outras acusações.
À coluna, Liana relembrou como a confusão com Rafael Ilha iniciou. “Eu sempre fui muito crítica aos políticos, meu ativismo é antigo. Comecei a fiscalizar o poder público desde muito cedo, tem quase 30 anos que atuo fiscalizando e denunciando irregularidades que encontro na administração pública. Sou formada em Administração Pública, trabalhei com engajamento social na Transparência Internacional – Brasil, maior ONG de combate à corrupção do mundo. Tenho um papel fundamental ensinando como fiscalizar e denunciar irregularidades”, começou dizendo.
Ela continuou: “Em 2020, o atual prefeito Rodrigo Manga, na época vereador, esteve no bairro que moro, fazendo campanha antecipada, dizendo que estava realizando um mutirão em uma praça junto a moradores, o que não foi verdade. Ele esteve lá com sua equipe, entre eles o Rafael Ilha, para fazer fotos e, em seguida, foi embora. Eu repostei o post dele e comentei que, em 8 anos como vereador, ele nunca tinha pisado no bairro, que era feio fazer isso em ano eleitoral. Rodrigo Manga respondeu cordialmente. Mas com a marcação, seus aliados começaram a me atacar, uma delas marcou o Rafael Ilha, que começou a me ofender. Nunca tive contato com o Rafael Ilha, não o sigo nas redes sociais, não conheço pessoalmente, nada”.
Segundo a ativista, ela chegou a ser questionada por outras pessoas se valia a pena entrar com um processo por conta da situação.
“Tem gente que me pergunta se valeu a pena fazer isso, que consideram que a ofensa foi pequena para um processo, eu sempre digo: são as pequenas coisas que devem ser corrigidas para não gerar as grandes. Depois que entrei com o processo, antes mesmo de qualquer decisão, ele já tinha me bloqueado de suas redes sociais e excluído os comentários, acredito que por orientação do advogado para não agravar o caso. Acho que agora ele vai pensar bem antes de falar qualquer coisa sobre mim”, disparou ela.
Liana Morisco completou: “Em período eleitoral essas coisas acontecem muito, pessoas defendendo seus candidatos com unhas e dentes sem medo do que pode acontecer. O único contato dele comigo pós-decisão [da Justiça] foi ontem (1º/8), quando ele me marcou em seu post, que a princípio veio como mensagem indisponível e precisei solicitar que ele esclarecesse o que queria. Fiz isso seguindo a orientação dos meus advogados”.
Liana ainda contou como se sentiu após se ver atacada por Rafael Ilha. “Achei bem ruim ver minha imagem sendo atacada como foi, insinuando que sou magra e por fazer uso de drogas. Eu sequer fumo. E fazendo analogia com o esporte que pratico, o pole dance, com sadomasoquismo, insinuando que eu postava coisas sexuais, como se eu fosse prostituta vendendo o serviço. E isso nem é desabonador para quem faz, mas achei muito baixo e pesado um comentário assim, já que em relação ao meu caráter ele não podia dizer nada e foi me atacando por conta do meu físico”, falou ela à coluna.
A ativista, que tem uma forma imagem política, disse que seu intuito com o processo era ser respeitada. Além disso, destacou que “liberdade de expressão não é liberdade para ataques”.
“Então entrei em contato com meus advogados que abriram o processo. Eu nem esperava que receberia algum valor em dinheiro, só queria respeito. Com a abertura do processo, ele apagou todos os comentários, nunca mais me atacou. Isso para mim foi uma grande vitória. A gente que atua com política só quer respeito. Liberdade de expressão não é liberdade para ataques. Fiquei feliz com a decisão, com a retratação, mas acima de tudo, com a paz que isso vai me trazer. Espero que ele tenha aprendido e não faça isso com mais ninguém”, analisou.
E deixou um recado: “O recado mais importante que quero deixar com isso é que as pessoas não deixem pra lá as ofensas recebidas na internet, que lutem por seus direitos, em especial as mulheres, que assim como eu, nunca são atacadas por conta de seu caráter, mas sim no pessoal, pelo seu corpo. Internet não é terra de ninguém, todos merecem respeito”, disse ela. “Eu tenho uma imagem política forte aqui. Fui servidora pública e sou muito respeitada, por isso não posso deixar que essas coisas aconteçam”, acrescentou.

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