Associação apresenta novo recurso para tentar levar casal Nardoni à prisão
No recurso, entidade contesta negativa de gratuidade de justiça e volta a apontar supostas irregularidades no cumprimento das penas do casal

A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ apresentou um novo recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no caso Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.
A coluna Fábia Oliveira teve acesso exclusivo aos embargos de declaração protocolados pela entidade após a 5ª Turma rejeitar, por unanimidade, o pedido que buscava o retorno do casal à prisão em razão de supostas irregularidades no cumprimento das penas em regime aberto.

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Mas o que são embargos de declaração? Trata-se de um recurso usado para pedir que o tribunal esclareça, corrija ou explique melhor pontos de uma decisão anterior.
A nova medida questiona, principalmente, a decisão que negou à associação o benefício da gratuidade de justiça.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo recurso, a entidade argumenta que não possui fins lucrativos, não mantém conta bancária e depende da colaboração e do apoio da comunidade para desenvolver ações em defesa de grupos minoritários.
A associação sustenta que o tribunal deveria ter solicitado a comprovação de sua condição financeira antes de indeferir o benefício. Por isso, pede que a gratuidade seja concedida. Caso o entendimento seja mantido, solicita um prazo de 24 horas para recolher as custas processuais e evitar que o processo seja extinto.
Além da discussão sobre o pagamento das custas, a petição retoma o pedido para que o caso seja encaminhado ao Ministério Público, com fundamento no artigo 40 do Código de Processo Penal (CPP).
A entidade aponta possíveis irregularidades no cumprimento das penas em regime aberto e menciona relatos de testemunhas sobre supostos privilégios durante o período de prisão, além de alegações envolvendo Antônio Nardoni, pai de Alexandre, na morte da neta.
Relembre o caso
Em 2008, Isabella Nardoni, de 5 anos, morreu após cair do sexto andar de um prédio em São Paulo.
Dois anos depois, o pai da menina, Alexandre Nardoni, foi condenado a 31 anos de prisão, enquanto Anna Carolina Jatobá, madrasta da criança, recebeu uma pena de 26 anos.
Os dois cumpriram parte das condenações em regime fechado e semiaberto até conseguirem a progressão para o regime aberto. Jatobá obteve o benefício em 2023, enquanto Nardoni passou a cumprir a pena nesse regime em 2024.
Mais recentemente, a 5ª Turma do STJ analisou um recurso apresentado pela associação que solicitava o retorno dos dois ao regime fechado.
O julgamento começou em sessão virtual em 27 de agosto e foi encerrado em 2 de setembro, com a rejeição unânime do pedido. A decisão ocorreu em razão da ausência de pagamento das custas processuais exigidas pela Corte.
Para Agripino Magalhães Júnior, a nova movimentação representa uma oportunidade para que os questionamentos apresentados pela associação sejam apreciados pelo colegiado do STJ.
“Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá não foram absolvidos. Eles continuam condenados por um crime que marcou profundamente o Brasil. O que estamos questionando é se as regras estabelecidas para o cumprimento da pena em regime aberto estão sendo devidamente respeitadas. Diante dos indícios apresentados, entendemos que a Justiça precisa investigar e adotar as medidas necessárias”, afirma Agripino.
Segundo ele, a atuação da entidade tem como objetivo garantir que as determinações judiciais relacionadas à progressão de regime sejam cumpridas.
“Regime aberto não significa ausência de regras ou de fiscalização. Quando surgem informações sobre possíveis irregularidades, elas não podem ser ignoradas. Nossa atuação busca garantir que tudo seja apurado com rigor, transparência e responsabilidade”, acrescenta.
Antes de recorrer ao STJ, a associação já havia encaminhado ao Ministério Público questionamentos sobre possíveis descumprimentos das condições impostas aos condenados durante a execução das penas. Posteriormente, levou a discussão ao tribunal superior, reforçando a solicitação para que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá retornassem ao regime fechado.







