
Fábia OliveiraColunas

Após Viih Tube perder R$ 6,8 mil em golpe, especialistas fazem alerta
Bruno Medeiros Durão e Lorena Pontes explicam por que as “taxas” cobradas da influencer são a isca mais comum. Saiba como recuperar o valor
atualizado
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Viih Tube usou as redes sociais, na ultima quarta-feira (25/2), para fazer um alerta que saiu do universo das celebridades e bateu direto na rotina de quem compra e vende pela internet.
Segundo o relato, tudo começou com a mensagem de um suposto comprador e evoluiu para uma sequência de contatos que pareciam “oficiais”, com e-mails de aparência profissional e instruções passo a passo, exatamente o tipo de armadilha que vem se repetindo em negociações digitais.
Mais sobre o golpe
Nos stories, Viih Tube descreveu que o que a convenceu foi justamente a aparência de normalidade: “Era um número normal, com foto, nome, tudo aparentemente verdadeiro”, contou.
A ex-BBB disse que, por ser a primeira vez que realizava uma venda naquele ambiente, acreditou que as orientações faziam parte do procedimento padrão: “Comecei a receber e-mails que pareciam ser do Mercado Livre, com o mesmo layout. No primeiro e-mail, pediam o pagamento de uma taxa para concluir a venda”, relatou.
Análise de especialista
Para o tributarista Bruno Medeiros Durão, a palavra que costuma aparecer como “isca” é justamente a que parece inofensiva: taxa.
“Esse golpe funciona porque imita burocracia. O criminoso cria uma narrativa de processo oficial, ‘taxa de liberação’, ‘validação’, ‘confirmação’, e empurra a vítima para fora do ambiente seguro do aplicativo”, comentou.
E prosseguiu: “Em regra, quem está vendendo não precisa pagar para ‘receber’ o dinheiro. Quando a cobrança chega por WhatsApp, e-mail ou link, e não dentro do fluxo oficial da plataforma, é sinal de alerta máximo”, afirmou.
Recuperação do dinheiro
O caso também reacende a pergunta que muita gente faz quando percebe que caiu: dá para recuperar o dinheiro? Existe caminho, mas não há garantia — e o tempo conta.
Em situações envolvendo Pix, a orientação é que a vítima busque imediatamente o próprio banco para registrar a contestação e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), previsto para casos com indícios de fraude, golpe ou crime, dentro do prazo de até 80 dias a partir da transação.
O mecanismo pode permitir bloqueio e eventual devolução de valores, desde que ainda exista saldo disponível na conta de destino e que a análise confirme a ocorrência.
Dicas para as vítimas
Na avaliação da criminalista Lorena Pontes, do mesmo escritório, a diferença entre “tentar” e “ter chance real” costuma estar nas primeiras horas após o golpe.
“A primeira providência é acionar o banco imediatamente e pedir o registro formal do caso, incluindo o MED quando for Pix. Em paralelo, é essencial registrar boletim de ocorrência e guardar tudo: prints, e-mails, números, links, chaves Pix, comprovantes e horários”, enumerou ela, antes de completar:
“Essa documentação ajuda tanto na tentativa de bloqueio quanto na investigação, porque o rastro digital, por menor que pareça, pode ligar contas e identificar intermediários”, explicou.
Alerta para todos
No fim, o relato de Viih Tube virou um lembrete direto para quem está vendendo algo “rapidinho” no impulso: golpistas não precisam de grandes falhas tecnológicas para agir, eles precisam de pressa, distração e uma história convincente. E a história mais comum é a do dinheiro “quase liberado”, condicionado a pagamentos sucessivos.
“O consumidor deve tratar qualquer ‘taxa para liberar recebimento’ como suspeita, interromper o contato e buscar confirmação apenas nos canais oficiais da plataforma e do banco”, resumiu Bruno Durão.














