Fábia Oliveira

Ansiedade ou raiva? Especialistas explicam crises após debate no BBB26

O tema da saúde emocional voltou a ganhar força nas redes sociais após o Sincerão exibido na segunda-feira (25/3) no reality

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Milena, do BBB 26
1 de 1 Milena, do BBB 26 - Foto: Manoella Mello/Globo

O tema da saúde emocional voltou a ganhar força nas redes sociais após o Sincerão exibido na segunda-feira (25/3) no BBB 26. Durante o quadro, Ana Paula, Milena e Juliano Floss acusaram Jonas de não respeitar o momento vivido pela recreadora e até de zombar da situação, reacendendo o debate sobre o que, de fato, caracteriza uma crise emocional.

Dias antes, a própria participante havia afirmado que não teve uma crise de ansiedade, mas sim um momento de explosão. A fala levantou questionamentos comuns: afinal, como diferenciar uma crise de ansiedade de uma crise de raiva?

Para especialistas, embora as duas situações envolvam reações intensas, elas têm origens diferentes e sinais específicos. A psicóloga Mariane Pires Marchetti explica que a crise de ansiedade está ligada à sensação de ameaça, mesmo quando não há um perigo real.

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Tia Milena cai no choro após visita ao Confessionário do BBB26
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“A crise de ansiedade acontece quando o corpo reage como se estivesse diante de um perigo, mesmo que não tenha nada de grave acontecendo naquele momento. É como se o corpo entrasse em alerta máximo. A pessoa pode sentir o coração disparar, falta de ar, aperto no peito, tontura, tremor, suor, a mente muito acelerada e uma sensação de que algo ruim vai acontecer”, afirmou.

Segundo ela, em quadros mais intensos, a pessoa pode sentir que vai perder o controle ou até morrer, o que torna a experiência ainda mais assustadora.

Já a crise de raiva está relacionada a situações de limite emocional. “A crise de raiva acontece quando a pessoa se sente muito injustiçada, desrespeitada, frustrada ou impotente em alguma situação. Diferente da ansiedade, que vem mais do medo, a raiva vem quando a pessoa sente que passou do limite. Os sinais mais comuns são o corpo ficar muito tenso, a mandíbula travar, a respiração ficar mais forte e a pessoa agir por impulso”, explicou Mariane.

Reação do corpo

A terapeuta e analista comportamental Gláucia Santana aprofunda a explicação ao destacar como o corpo reage em cada situação e o que está por trás dessas respostas emocionais.

“Quando a gente fala de crise de ansiedade, não é frescura nem drama. É o corpo entrando em modo de alerta, como se existisse um perigo iminente, mesmo sem um risco real naquele momento. A mente acelera, vira um ciclo de pensamentos repetitivos, e o corpo responde junto com sintomas como coração acelerado, falta de ar, aperto no peito e tremor. Muitas pessoas relatam medo de perder o controle ou até de morrer”, afirmou.

Segundo ela, a crise de raiva segue uma lógica diferente, mais ligada à perda de regulação emocional diante de uma situação percebida como limite.

“Na crise de raiva, a pessoa entra em um estado de explosão, como se o corpo estivesse pronto para atacar ou se defender. A fala muda, o tom sobe, há tensão muscular, impulsividade e dificuldade de ouvir o outro. Muitas vezes vem a vontade de confrontar ou reagir diante de algo que foi sentido como injustiça ou desrespeito”, explicou.

Gláucia ressalta que a principal diferença entre as duas está na direção da reação emocional.

“Na ansiedade, a energia vai para o medo e para a fuga, o corpo quer escapar de um perigo que a mente está prevendo. Já na raiva, a energia vai para o ataque e o confronto, como uma forma de impor limite ou se proteger. Por isso, na ansiedade predominam os sintomas físicos de alerta, enquanto na raiva aparecem mais tensão e impulsividade”, disse.

Ela também chama atenção para um ponto importante: as duas reações podem se misturar.

“Às vezes, a raiva é uma forma de não entrar em contato com o medo ou com a vulnerabilidade. E, em outros casos, a ansiedade pode surgir depois de um episódio de raiva, quando a pessoa percebe as consequências do que aconteceu. Mas, de forma geral, dá para identificar pelo núcleo da emoção”, concluiu.

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