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Entre-Eixos

Mobilidade urbana: organizações criticam volta de “carros populares”

Movimentos defensores do uso urbano de trens, ônibus e bicicletas entendem que estimular e financiar o transporte individual é um retrocesso

25/05/2023 10:51
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JP Rodrigues/Metrópoles
Mobilidade urbana: organizações criticam volta de “carros populares”

A coalizão Mobilidade Triplo Zero, nova rede de organizações e movimentos sociais que luta para que a mobilidade seja uma  forma de garantir mais democracia e dar voz à sociedade civil, divulgou uma dura nota sobre a intenção de o governo federal lançar um plano de incentivo à retomada do setor automotivo. Hoje, a indústria faz lobby pela volta do chamado “carro popular”, com menos impostos e menos equipamentos. 

Por isso, as entidades defensoras da mobilidade urbana sustentável dizem que a ideia é um retrocesso para o cenário atual ainda mais grave do que foi a ação semelhante realizada após a crise de 2008. 

Afinal, hoje, reforçam, a sociedade se vê obrigada a defender as causas climáticas com ações eficientes de curto, médio e longo prazo. E lançar um pacote de ações para socorrer a indústria automobilística será um retrocesso sob a ótica da mobilidade urbana sustentável, quando o país perderá a chance de, finalmente, ser protagonista com a narrativa da proteção climática. 

Os autores dizem ainda que é fundamental considerar a contradição de ter um discurso amplo internacionalmente sobre o clima, enquanto as políticas internas caminham numa direção completamente díspar, com um pacote estimulante ao transporte individual, que prevê a ampliação das linhas de crédito e reduções tributárias para os fabricantes. 

Os autores ainda reforçam que o automóvel é o maior poluidor das nossas cidades. E que o foco do governo, se realmente busca um futuro equitativo e verde, deve ser no transporte público, na mobilidade a pé e por meio da bicicleta. 

Precisamos, dizem os autores, de um sistema de transporte com triplo zero: zero emissões, zero mortes e zero tarifa. 

A Coalizão Mobilidade Triplo Zero é formada por instituições como a Fundação Rosa Luxemburgo, Idec, Observatório da Mobilidade de Salvador, Observatório dos Trens do Rio de Janeiro, Movimento Passe Livres etc.