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Urso no Brasil? Saiba por que eles não cruzam fronteiras com o país
Em outros países da América do Sul, como a Bolívia, há uma espécie nativa de ursos. Descubra porque o Brasil não entra nessa lista de países
atualizado
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Por ter dimensões continentais e abrigar diversos biomas, o Brasil reúne uma fauna extremamente variada. São mais de 124 mil espécies de animais catalogadas, o que coloca o país no topo da biodiversidade mundial. Mesmo assim, existe um animal bastante conhecido que vive em territórios dos nossos vizinhos, mas não aqui: o urso.
Na América do Sul, eles podem ser encontrados em países como Bolívia, Equador, Colômbia e Peru. Embora o Brasil esteja no mesmo continente e faça fronteira com parte dessas regiões — exceto o Equador —, seu território não ostenta as condições ideais para esses mamíferos se estabelecerem.
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Isso porque há apenas uma espécie de urso nativa da América do Sul: o urso-de-óculos (Tremarctos ornatus). Ele habita áreas específicas da Cordilheira dos Andes e, mesmo vivendo relativamente perto, nunca se aproxima das fronteiras brasileiras.

Qual a explicação?
A ausência de ursos no país está diretamente ligada às características ambientais. A própria Cordilheira dos Andes atua como um limite geográfico, separando o habitat adequado dos biomas predominantemente tropicais do Brasil. O clima e a vegetação brasileiros também não correspondem às necessidades ecológicas dessa espécie.
Biomas como Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado não oferecem o tipo de ambiente que esses mamíferos preferem. O urso-de-óculos vive em áreas elevadas, florestas frias e úmidas, além de temperaturas mais amenas. Ou seja, condições que são raras no território brasileiro. Outro ponto é a competição com a fauna local, que também dificultaria sua adaptação.
Por onde anda o urso-de-óculos
Ao longo da América do Sul, o urso-de-óculos ocupa principalmente as zonas de montanhas da Cordilheira dos Andes. Ele costuma ser visto em altitudes que vão de 250 até mais de 4 mil metros. Para se alimentar e se abrigar, procura por habitats como florestas úmidas, matas nubladas e áreas rochosas.

Além disso, esse animal tem um comportamento naturalmente discreto e mais solitário, o que favorece sua sobrevivência em terrenos montanhosos e dificulta encontros em regiões menos estudadas. Fora os países mencionados anteriormente, já houve alguns registros dele na Argentina.
Não se sabe o número exato, mas a estimativa é que existam entre 2.500 e 10 mil ursos-de-óculos na natureza, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Infelizmente, a espécie é considerada vulnerável, e o principal fator é justamente a perda de habitat.
E no futuro?
Apesar da proximidade geográfica com países andinos, o Brasil não apresenta as características necessárias para a expansão do urso-de-óculos em ambientes naturais. A fauna brasileira apresenta riqueza e diversidade próprias, mas sem nenhum representante nativo da família dos ursos, cientificamente chamada de Ursidae.

Especialistas ressaltam que, mesmo diante de possíveis mudanças climáticas ou alterações ambientais, a chegada natural desses mamíferos ao Brasil é improvável. Primeiro, por conta da barreira natural, em que a Cordilheira e regiões de transição climática impedem o alcance dos ursos.
Junto a isso, a adaptação ecológica também não permite que eles apareçam no país, pois as florestas brasileiras não compatíveis com suas características de existência. A ausência de registros históricos prova essa impossibilidade, já que não há fósseis ou descrições confiáveis de ursos vivendo no Brasil em períodos passados ou atuais.
