Balanço mostra que Amazônia tem menos desmatamento, mas mais queimadas

Especialistas explicam por que o fogo aumenta mesmo com menos derrubada de árvores na Amazônia e quais são os impactos para o meio-ambiente

atualizado

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Vista aérea de um incêndio na floresta tropical amazônica. Metrópoles
1 de 1 Vista aérea de um incêndio na floresta tropical amazônica. Metrópoles - Foto: Brasil2/Getty Imagens

Os dados mais recentes sobre a Amazônia mostram duas tendências que parecem caminhar em sentidos opostos. O balanço da temporada 2023/2024 registrou uma redução de 30,6% no desmatamento, com 6.288 quilômetros quadrados de floresta derrubados, o menor índice em quase uma década.

Quando o foco está no início de 2025, porém, o cenário se inverte. Os alertas do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostram crescimento acelerado na área sob risco de destruição em abril e maio.

A repetição de meses com alta acendeu o alerta entre especialistas e autoridades. Uma parte expressiva desse avanço tem relação direta com as queimadas, que estiveram em alta nos últimos anos. A seca mais intensa e prolongada facilita a propagação do fogo, que nos meses recentes respondeu por mais da metade dos alertas de desmatamento.

O engenheiro ambiental Alessandro Bertolino, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), diz que a redução da derrubada e o aumento do fogo não são movimentos opostos, mas processos diferentes que acontecem ao mesmo tempo.

Segundo ele, o desmatamento está ligado a abrir novas áreas, enquanto as queimadas podem ocorrer tanto em áreas já abertas quanto em trechos onde a vegetação permanece em pé.

“Mesmo com a redução do corte, o fogo pode estar sendo empregado como manejo de pastagens e resíduos agrícolas, e algumas condições climáticas mais secas ampliam a probabilidade de propagação”, afirma.

Queimadas atingem áreas abertas e trechos preservados da Amazônia

O engenheiro florestal Eraldo Matricardi, professor da Universidade de Brasília (UnB), acrescenta que a proporção de queimadas segue alta em pastagens, áreas agrícolas e até em vegetação nativa. Para ele, mesmo com menos desmatamento, o fogo continua se espalhando por diversos tipos de território.

“No processo de desmatamento, o fogo é quase sempre utilizado para limpar o terreno, mas as queimadas se estendem muito além das áreas recém-abertas”, afirma.

Quando as chamas avançam sobre ecossistemas naturais, os danos se multiplicam. “Os impactos comprometem o solo, a biodiversidade e a produção de água, além de aumentar as emissões de gases de efeito estufa”, aponta.

Fiscalização melhora o combate ao desmatamento, mas não ao fogo

A dinâmica do fogo também evidencia desafios de fiscalização. Para o engenheiro florestal Jorge Antonio de Farias, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o avanço das ações contra o desmatamento nos últimos anos não se refletiu com a mesma força no enfrentamento às queimadas.

“Hoje temos tecnologias que permitem identificar focos e desmatamentos em tempo real. É uma decisão política definir se o governo quer enfrentar isso de forma consistente”, afirma.

A geógrafa Cláudia Nascimento, professora da Universidade Católica de Brasília (UcB) e pesquisadora de temas ligados ao desenvolvimento sustentável na Amazônia, avalia que a permanência de queimadas em níveis altos mantém o bioma sob forte pressão, mesmo em um cenário de redução da derrubada.

“Apesar da queda do desmatamento, manter altos índices de queimadas na Amazônia gera impactos severos para o equilíbrio do bioma, o clima global e a saúde das populações locais”, alerta a especialista.

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