É o bicho!

Rãs fêmeas fingem estar mortas para evitar machos indesejáveis

Uma espécie de rã finge estar morta até que o macho desista e vá embora. A descoberta foi publicada em uma revista científica

atualizado

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Rãs fêmeas fingem estar mortas para evitar machos indesejáveis
1 de 1 Rãs fêmeas fingem estar mortas para evitar machos indesejáveis - Foto: Getty Images

O mundo animal é mais esperto do que muita gente imagina. Uma pesquisa realizada em 2023, publicada na revista Royal Society Open Science, descobriu que as fêmeas da rã-comum europeia (Rana temporaria) se fingem de mortas para evitar machos indesejáveis.

Segundo os pesquisadores Carolin Dittrich e Mark-Oliver Rödel, as rãs-machos lutam pelo acesso às fêmeas, que geralmente são o sexo menos numeroso nesses grupos reprodutivos. O aumento dos esforços dos machos (assédio, cópula forçada e intimidação) para obtê-las pode afetar negativamente a sobrevivência feminina.

Rãs fêmeas fingem estar mortas para evitar machos indesejáveis
Rãs fêmeas fingem estar mortas para evitar machos indesejáveis

Como forma de se defender, a equipe observou três comportamentos para “fugir” de parceiros nas fêmeas da rã-comum europeia. O mais comum foi a virada, na qual a fêmea tenta girar em torno do próprio eixo para escapar da pegada do macho.

O segundo comportamento foi a vocalização. As fêmeas emitem dois tipos de vocalização: um som grave e de baixa frequência, semelhante a um grunhido, que imita o chamado de liberação do macho, e um som agudo, cuja função de comunicação ainda não foi determinada.

O comportamento mais surpreendente é caracterizado pela imobilidade tônica, na qual as fêmeas estendem rigidamente os braços e as pernas para longe do corpo. Assim, elas parecem que estão mortas.

A rã-comum europeia (Rana temporaria) é um anfíbio semiaquático
A rã-comum europeia é um anfíbio semiaquático
“A imobilidade tônica no contexto do acasalamento é bastante incomum ou provavelmente menos observada. Conhecemos apenas alguns estudos em que a imobilidade tônica foi encontrada em um contexto de acasalamento, por exemplo, em aranhas ou libélulas”, diz a pesquisa.

Os pesquisadores acreditam que seja uma estratégia de evasão de predadores, já que muitos dependem do movimento de suas presas. A detectabilidade é reduzida quando os indivíduos estão imóveis.

A ecologista comportamental evolucionista Carolin Dittrich, autora do estudo, observou que a resistência feminina, em suas diferentes formas, tem sido pouco abordada na literatura científica recente sobre rãs.

Segundo ela, há registro de apenas um artigo do século 20 sobre o tema; fora isso, foi necessário recorrer a publicações do século 18 para encontrar discussões sobre a resistência das fêmeas ao comportamento dos machos nas rãs comuns europeias.

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