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Qual o tempo máximo que um cão pode ficar só? Especialista responde
Os cães, se passarem muito tempo sozinhos, podem ter comportamentos compulsivos e destrutivos. Por isso, os tutores devem ficar atentos
atualizado
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Escolher ter um cachorro em casa significa dispor de tempo para dar atenção e cuidados de saúde. Os tutores desses animais sabem que eles costumam ser mais carentes que os gatos, por exemplo. Por isso, é importante que os momentos de ausência não afetem o emocional do cão.
Para quem mora sozinho, é inevitável que o animal fique sozinho algumas vezes. A questão é que os tutores devem saber organizar a rotina para não ultrapassar limites. Além disso, é fundamental que, antes de ter um cachorro, o indivíduo avalie se conseguirá oferecer tudo que ele precisa — tempo, disposição, afeto, higiene e alimentação adequada.
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Segundo Gustavo Herrera, professor de medicina veterinária, o tempo “limite” pode variar de acordo com fatores como raça, ambiente e necessidades individuais. “De forma geral, o tempo considerado aceitável varia entre 4 e 6 horas.”
“Vale ressaltar que cães de pequeno porte geralmente são mais apegados aos seus tutores, demandando cuidado mais intenso, assim como filhotes e raças que têm mais energia, como cães de caça ou pastoreio”, acrescenta o profissional ao Metrópoles.
Sinais e riscos
A variação do tempo também vai depender da idade do cachorro. Os filhotes demandam mais atenção, já que precisam gastar mais energia e não tem limites. Por outro lado, idosos podem necessitar de atenção com a saúde, como nos casos do uso de medicações contínuas.
“Hoje, a incidência de tratamentos para diabetes ou cardiopatias é comum em animais idosos”, diz Gustavo Herrera.

O docente do Centro Universitário de Brasília (CEUB) afirma que existem sinais que indicam estresse ou ansiedade após o cão ficar sem companhia. “Comportamentos compulsivos, como lambedura excessiva — geralmente das patas — até destrutivos, em que objetos da casa tornam-se alvos desses cães entediados e com energia acumulada.”
Os tutores precisam entender que a companhia não é um privilégio ou agrado, mas sim uma necessidade para o pet. A solidão pode levar a comportamentos que geram consequências para a saúde física e emocional deles.
Comportamentos compulsivos podem gerar automutilação, agressividade e até quadros depressivos, o que influencia na saúde e no bem-estar animal.
“Comportamentos destrutivos podem gerar ingestão de corpos estranhos, como espuma, tecidos e outros, que levam a quadros de obstrução gastrointestinal e podem, em casos graves, resultar no óbito”, explica o professor.
O que fazer
De acordo com o especialista, existem alternativas, como o enriquecimento ambiental, que podem minimizar o impacto da ausência. “Vale usar brinquedos que distraem os cães na ausência de seus tutores. Além disso, soluções como creches e pessoas que passeiam com os cães também estão disponíveis para auxiliar os responsáveis.”

No entanto, isso não é passe livre para deixar o bichinho sozinho por horas excessivas, já que o ato pode ser inadequado ou até perigoso. Gustavo comenta que especialistas em comportamento animal podem auxiliar tutores nesse processo de adaptação às necessidade individuais de cada pet.
“É importante destacar que, antes de adquirir um animal de estimação, precisamos pesquisar quais são as necessidades de cada fase da vida desse animal, qual a raça mais apropriada e qual a rotina daquele tutor. Todos demandam amor, tempo e cuidados especiais!”, conclui o profissional.










