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Pets percebem a chegada do bebê antes de ele nascer; entenda
Especialista explica como os pets entendem a chegada de um bebê na família e como isso fortalece vínculos de afeto e proteção desde cedo
atualizado
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A relação entre pets e bebês costuma despertar curiosidade e encantamento. Muitos tutores se surpreendem com a forma como cães e gatos parecem compreender a chegada de um novo membro da família.
Edilberto Martinez, veterinário e doutor em psicologia social, explica ao Metrópoles que essa conexão tem explicação. “A capacidade de interpretar nossas emoções é tamanha que as mudanças relacionadas à gestação permitem que eles percebam a vinda de um novo membro antes mesmo do nascimento.”
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O veterinário afirma que esses pets conseguem até escutar os batimentos cardíacos do bebê ainda na barriga da mãe. Quando são sociáveis desde cedo, passam a enxergar o novo integrante como parte do grupo e podem se aproximar da gestante com comportamentos afetuosos.
Apesar do comportamento de proteção e zelo ser mais frequente em fêmeas, tanto cães quanto gatos machos podem expressar esses instintos e cuidados parentais. A família, por sua vez, pode perceber isso de diferentes formas.
“Os pets podem se deitar sempre perto do berço, como um guardião silencioso”, comenta Edilberto, que apenas alerta para o cuidado com o peso e as garras dos animais.
Preparando o pet para a chegada do bebê
O vínculo entre o animal e o bebê pode, e deve, começar antes do nascimento. De acordo com o veterinário, o segredo está em criar associações positivas.
“A adaptação começa antes da chegada do bebê. É importante que o pet associe essa nova fase a experiências positivas. Quando ele se aproximar da barriga, faça elogios, carinhos e ofereça aquelas guloseimas preferidas”, orienta Edilberto.

Permitir que o cão ou gato entre no quarto do bebê, cheire as novas mobílias e mantenha a rotina de passeios e brincadeiras também são medidas muito importantes.
Depois do parto, o especialista recomenda um passo simples, mas significativo: levar para casa uma mantinha com o cheiro do recém-nascido. “O mais importante é fazer com que a presença do bebê seja algo bom para o pet.”
Ele também orienta incluir o pet no momento da amamentação. “Quando você estiver amamentando ou fazendo carinho no bebê, chame o pet para perto, converse com ele e dê um petisco gostoso.”
Benefícios que vão além da fofura
Crescer ao lado de um animal de estimação pode trazer ganhos emocionais e sociais importantes para as crianças. Segundo Edilberto, essa convivência estimula valores importantes.
“Crianças que crescem com animais tendem a desenvolver maior empatia, senso de cuidado e responsabilidade. Essa convivência estimula o aprendizado sobre respeito aos limites, linguagem corporal do animal e emoções”, explica o expert.

Além do impacto emocional, estudos apontam benefícios físicos. O contato com animais desde cedo pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico e reduzir os riscos de desenvolver alergias em algumas crianças.
Essa relação também melhora o clima dentro de casa. Edilberto afirma que quando a relação entre ser humano e animal de estimação é harmoniosa, isso influencia no bem-estar de todos os envolvidos.
“Eles deixam o ambiente mais alegre e descontraído, com uma sensação de acolhimento emocional”, acrescenta o veterinário.
Sinais de conforto e felicidade nos pets
Segundo o veterinário, os animais possuem um repertório complexo de sinais de comportamento. A seguir, estão alguns que demonstram que o pet está confortável e feliz na presença do bebê:
- Se aproxima de forma calma e curiosa;
- Corpo relaxado e sem movimentos de cauda marcados;
- Orelhas relaxadas e não voltadas para trás;
- Piscadas lentas;
- Respiração tranquila e não ofegante;
- Para os gatos, quando eles ronronam;
- Para os cães, quando emitem pequenos choramingos perto do bebê.

Momentos de carinho em segurança
A convivência entre bebê e pet deve acontecer de forma gradual, com supervisão e paciência. Edilberto orienta incluir o animal na rotina da criança, especialmente nos momentos de tranquilidade.
Momentos curtos de interação ajudam a construir confiança. “Conforme o bebê for crescendo, deixe que ele participe de forma segura dos cuidados, como jogar um petisco ou lançar uma bolinha para o cachorro”, explica o profissional.
Para famílias que convivem com animais mais reativos, o alerta é muito claro.
“Se o cão ou gato demonstrarem agressividade, ou se tiverem histórico de agressão e evitação a desconhecidos, contrate um profissional comportamentalista para fazer essa introdução com segurança”, recomenda Edilberto.
Com paciência, reforço positivo e respeito aos limites, a presença de um animal de estimação pode se transformar em uma amizade para a vida toda. Esse é um laço de amor e aprendizado que beneficia o bebê, o pet e toda a família.








