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Humanos e primatas compartilham gosto musical, aponta estudo
Estudo revela que a preferência musical humana pode ter raízes evolutivas e ser compartilhada com outras espécies
atualizado
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Uma nova pesquisa científica sugere que humanos e outros animais — incluindo primatas — podem ter mais em comum do que se imaginava quando o assunto é música. Segundo o estudo, nossas preferências podem ter raízes evolutivas profundas, compartilhadas com diferentes espécies ao longo da história.
O trabalho mostrou que humanos tendem a preferir os mesmos tipos de sons que outros animais escolhem entre si, especialmente em contextos ligados à comunicação e ao acasalamento. Isso indica que o que consideramos “agradável” ao ouvir música pode não ser apenas cultural, mas também biológico.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores analisaram a reação de mais de 4 mil pessoas a diferentes sons produzidos por animais de 16 espécies. Os participantes ouviam pares de sons e escolhiam qual achavam mais agradável — e, em muitos casos, suas escolhas coincidiam com aquelas feitas pelos próprios animais em estudos anteriores.
Um dos pontos que mais chamou atenção foi a preferência por sons mais graves e com variações acústicas específicas, como trilhos e repetições. Esses elementos também são valorizados por animais em seus próprios sistemas de comunicação, o que reforça a ideia de que existe uma base comum na forma como diferentes espécies percebem o som.
A pesquisa dialoga diretamente com uma hipótese antiga de Charles Darwin, que sugere que humanos e animais compartilham um “gosto pelo belo”. Agora, com evidências experimentais, cientistas apontam que essa percepção pode estar ligada a mecanismos sensoriais semelhantes entre as espécies.

Além de ajudar a entender a origem da música, os resultados também levantam novas questões sobre como o cérebro humano evoluiu para processar sons. Se parte do que consideramos música tem raízes biológicas, isso pode explicar por que certos ritmos e padrões sonoros agradam pessoas de diferentes culturas.
No fim, o estudo reforça uma ideia provocadora: o gosto musical pode não ser exclusivamente humano — e talvez tenha começado muito antes de qualquer instrumento existir.
