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Gato-do-mato-pequeno é visto pela primeira vez em parque no RJ
Flagrante inédito de gato ameaçado de extinção em área de Realengo comprova a boa qualidade ambiental da unidade de conservação no RJ
atualizado
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Uma fofura selvagem e misteriosa deu as caras na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, o gato-do-mato-pequeno, considerado o menor felino selvagem do Brasil e classificado como “vulnerável” na lista de espécies ameaçadas, foi avistado na vertente Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, em Realengo. O flagrante histórico faz parte de um levantamento inédito realizado ao longo dos últimos três anos pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em parceria com o Projeto Fauna Transcarioca.
Com a ajuda de câmeras camufladas, a pesquisa conseguiu registrar 21 espécies de mamíferos silvestres na região, revelando que a floresta carioca está cheia de vida e em plena recuperação.
Entenda
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Flagrante inédito: o gato-do-mato-pequeno e outras espécies raras foram registrados pela primeira vez na vertente Piraquara, área que já sofreu com incêndios e desmatamento.
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Câmeras secretas: os registros foram feitos nos últimos três anos por câmeras camufladas instaladas em trechos da Trilha Transcarioca que cruzam o parque administrado pelo Inea.
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Floresta viva: o estudo inédito mapeou 21 espécies de mamíferos silvestres na região, incluindo animais ameaçados e raros como a paca, o tapiti e o cachorro-do-mato.
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Sinal de saúde: por ser um animal que só habita áreas bem preservadas, a aparição do felino comprova a excelente qualidade ambiental do parque, mesmo cercado pela cidade.
Tecnologia e biologia no meio da trilha
As imagens surpreendentes foram obtidas graças a equipamentos doados pela empresa Alpha Group e instalados estrategicamente na Trilha Transcarioca. O monitoramento minucioso fica por conta do pesquisador e coordenador de voluntariado da trilha, Diego Monsores, que trabalha lado a lado com os guarda-parques do Inea.
“Quando vi o gato-do-mato-pequeno passando pela trilha, comemorei. Essa é uma espécie que habita áreas bem preservadas e sua presença comprova a qualidade ambiental do parque, mesmo inserido em uma área urbana”, celebra Monsores.
Além de “corujar” a rotina dos bichos, o projeto estuda os impactos do uso público dessas áreas para criar estratégias eficazes de conservação. A diretora de Biodiversidade, Áreas Protegidas e Ecossistemas do Inea, Julia Bochner, reforça que o levantamento amplia o conhecimento sobre a fauna local e fortalece as políticas públicas de proteção em meio às zonas urbanas.

Quem são os novos astros do parque?
Os monitoramentos trouxeram detalhes fascinantes sobre os moradores ilustres da Pedra Branca:
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Gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus): o caçula dos felinos brasileiros tem hábitos solitários e predominantemente noturnos. Alimenta-se de roedores, aves, lagartos e anfíbios, podendo viver até os 15 anos na natureza.
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Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous): um verdadeiro jardineiro ecológico que ajuda a dispersar sementes e controlar pragas. Vive em casais ou pequenos grupos familiares e passa o dia descansando em tocas de tatus ou ocos de árvores, saindo para a atividade ao entardecer.
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Paca (Cuniculus paca): esse roedor solitário e noturno ama viver perto de rios e riachos. Habita tocas subterrâneas com várias saídas de emergência e usa sua habilidade como excelente nadadora e mergulhadora para despistar os predadores.
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Tapiti (Sylvilagus brasiliensis): o único coelho nativo do Brasil também é do time dos solitários da noite. Sua dieta à base de folhas, frutos e cascas é essencial para manter o equilíbrio ambiental do ecossistema.