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Empatia: proteção animal se torna obrigatória em escolas de município
Após casos de violência chocarem o estado, programa “Educar para Cuidar” passa a integrar o calendário oficial de ensino de município
atualizado
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A Prefeitura de Nova Iguaçu deu um passo decisivo para tentar reverter as estatísticas de violência doméstica contra animais. Na segunda-feira (16/3), o município lançou a nova edição do programa “Educar para Cuidar”, que agora deixa de ser um projeto piloto para se tornar parte oficial do calendário pedagógico das escolas municipais. A iniciativa foca em alunos do 4º ano do Ensino Fundamental, utilizando a educação como ferramenta preventiva contra o crime de maus-tratos.
Entenda
- Oficialização: o programa, que alcançou 8 mil alunos em sua fase experimental no ano passado, agora é política permanente na rede de ensino.
- Apoio técnico: veterinários visitam as salas de aula com pets e cartilhas educativas, abordando guarda responsável e saúde animal.
- Integração ambiental: estudantes produzem brinquedos para animais a partir de materiais reciclados (mais de 500 kg de resíduos já foram reaproveitados).
- Foco na estatística: a meta é reduzir os casos de violência que, em 70% das ocorrências no estado, são cometidos pelos próprios tutores.

O peso da realidade
A urgência da medida é respaldada por números alarmantes do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ). Dados de 2025 revelam que 60% dos casos de maus-tratos ocorrem dentro do ambiente doméstico. Para o poder público, o ambiente escolar é o local ideal para romper o ciclo de violência que começa em casa e sensibilizar as famílias através das crianças.
O cenário de crueldade contra animais ganhou contornos dramáticos com o recente “Caso Orelha”. O cão comunitário, símbolo de carinho em sua região, morreu após ser brutalmente espancado por um grupo de jovens. A investigação, que analisou mais de mil horas de filmagens e ouviu 24 testemunhas, resultou no indiciamento de adultos por coação e no pedido de internação de adolescentes envolvidos.

O episódio do cão Orelha expôs uma lacuna na formação empática de jovens e adolescentes, reforçando a tese da Prefeitura de Nova Iguaçu de que o respeito aos seres vivos deve ser ensinado cedo para não se tornar, no futuro, um caso de polícia.
Educação e sustentabilidade
A parceria entre as Secretarias de Educação e de Proteção Animal não se limita à teoria. No último ano, a prática de transformar o que seria lixo em bem-estar animal retirou meia tonelada de descartes das escolas.
“O objetivo é que a criança entenda que o animal é um ser sensciente e que a guarda exige responsabilidade”, afirmam técnicos da prefeitura.
Ao unir a causa animal à educação ambiental, o programa busca formar cidadãos mais conscientes não apenas sobre seus pets, mas sobre o impacto do seu comportamento no ecossistema urbano.








